O baixista do Blindagem, Paulo Juk, lembra: “Antes da Pedreira ser a Pedreira Paulo Leminski, a gente já imaginava como seria tocar lá”. O sonho fazia parte do imaginário de muitos músicos e compositores que frequentavam a casa de um amigo, no bairro Abranches. De lá, era possível avistar a formação rochosa que privilegia a acústica e o cenário ideal delineado pela natureza abundante.

Paulo não lembra exatamente o mês, mas sabe que foi no ano de 1989 que, ao lado de outras bandas, o Blindagem inaugurou a Pedreira com um show em homenagem a Paulo Leminski. Passaram pelo palco grandes nomes da música como Madonna, Metallica, Guns N’ Roses, Coldplay e Aerosmith, entre outros.

Mas os amantes dos mega shows estão sem paradeiro desde que a Pedreira foi interditada, em agosto de 2008 depois que moradores fizeram uma denúncia ao Ministério Público (MP) reclamando do barulho durante a madrugada.

Os integrantes do movimento A Pedreira é nossa! querem relembrar a importância da Pedreira Paulo Leminski para o cenário cultural da cidade e reivindicar a reabertura do espaço.

Para isso, convidaram para um show hoje, no centro de Curitiba, as bandas Anacrônica, Gentileza, Supercolor, Djambi, R3, Blindagem, Loudog, Rosie and Me e Jacobloco, além dos músicos Fabio Elias, Pablo Portes e Rodrigo Lemos.

Nas Ruínas São Francisco, cada convidado tocará uma música própria e interpretará outra de um artista que tenha marcado a história da Pedreira. Na ocasião, os organizadores pedirão mais adesões ao abaixo-assinado pela reabertura do local para grandes eventos. Até o momento, o documento consta com cerca de 15 mil assinaturas.

Calada

“Ficou a dupla calada: Paulo Leminski e Ivo Rodrigues (como foi batizada a Ópera de Arame)”, diz o baixista do Blindagem. Paulo, que por muitas vezes esteve no palco da Pedreira, lamenta o fechamento do local.

“É uma pena essa mentalidade de proibir”, e completa dizendo que a questão precisa ser discutida com bom senso: “O que acontece é que os shows acabavam tarde, mas é só limitar o horário”.

A ligação de Paulo e, consequentemente, do Blindagem, com a Pedreira é visceral. Sem contar os shows protagonizados pela banda, o baixista lembra com emoção o que viu por lá.

“Um momento especial foi ver o Paul McCartney. Lembro que estava chovendo, das pessoas cantando. Quando ele tocou A day in the life foi muito emocionante, me marcou muito”.

Um problema que agrava a derrocada da capital no roteiro dos shows internacionais, afirma o produtor Paulo Lenzi, é a falta de espaço para um evento de grande porte, situação que a Pedreira supria há alguns anos.

“Hoje temos várias produtoras brigando pelos poucos locais. E como são lugares pequenos, a concorrência é maior e os preços aumentam”. Hoje, shows de pequenos portes são realizados na região metropolitana.

Lenzi incita o meio artístico a se mobilizar para pedir providências sobre a definição do futuro da Pedreira. “Curitiba está fora do mapa dos grandes shows no Brasil. Deixa de ganhar o setor musical, o setor turístico, o público e a sociedade como um todo”.

Para Lenzi, “o público curitibano reclama muito e faz pouco”, contribuindo para a demora com que a situação da Pedreira seja resolvida. Ele busca, acima de tudo, resgatar a ideia de grandes eventos. “O que a gente quer é uma solução”.

Serviço

Show A Pedreira é nossa!.
Ruínas de São Francisco (Largo da Ordem, centro de Curitiba. Hoje ao meio-dia. Entrada gratuita.