Wolverine e sua turma estão de
volta, tentando salvar a pele.

Depois de se digladiarem entre si no primeiro filme, os mutantes sob a guarda do Professor Xavier (Patrick Stewart) e do ambicioso Magneto (Ian McKellen) se unem contra um inimigo muito mais poderoso em X-Men 2, que estréia hoje nos cinemas: o humano William Stryker (Brian Cox).

Cientista e assessor militar da Casa Branca, Stryker incrimina a nova espécie por um atentado contra o presidente dos Estados Unidos – o que ajuda a aguçar o temor público e serve de pretexto para uma gigantesca ofensiva militar contra a escola especial de Xavier. Os mutantes, por sua vez, precisam se defender sem prejudicar ainda mais o relacionamento com os humanos. Daí a inusitada aliança Xavier/Magneto (este último fugitivo da prisão de plástico em que fora confinado).

Este é o argumento da continuação, novamente assinada pelo jovem diretor Bryan Singer. E assim ele consegue costurar o impacto visual – indispensável numa superprodução desse tipo – com intrincados conflitos psicológicos. Também, Singer praticamente ganhou carta branca da Fox, e quase o dobro do orçamento do primeiro filme (120 milhões de dólares contra 75 milhões de X-Men – O Filme).

Com tantos recursos, o diretor pôde se dedicar com mais atenção ao roteiro – e parece que cumpriu seu papel. “Os filmes dos X-Men levantam questões comuns a todos nós: estou sozinho neste mundo? Por que sou tão diferente, e como faço para me encaixar? Essas perguntas são universais e atemporais, particularmente entre os adolescentes. Todos nós já nos sentimos como mutantes”, resume.

Quase todos os super-heróis do primeiro filme estão de volta, do carismático Wolverine (Hugh Jackman) à imponente Tempestade (Halle Berry), passando pelos vilões de Magneto, como Mística (Rebecca Romijn-Stamos). E há também caras novas, como o estranho Noturno (Kurt Wagner), com sua capacidade de teletransporte, e o “calouro incendiário” Pyro (Aaron Stanford). E até uma adversária à altura de Wolverine, Deathstrike (Yuriko Oyama), que possui os mesmos poderes do herói e é ajudante de Stryker.

Mas a “tacada de mestre” de Bryan Singer foi mesmo confrontar mutantes e humanos, colocando em xeque a teoria de Xavier, que prega a convivência pacífica entre as duas espécies. “Uma das coisas que eu queria introduzir nesta história era um humano como vilão”, conta o diretor. “Essa ameaça é um perigo para todos os mutantes, e, conseqüentemente, para a humanidade. Neste filme, o medo que um homem poderoso tem do desconhecido pode levar a um nível de intolerância de proporções catastróficas”. Qualquer semelhança com a doutrina Bush é mera coincidência…