A diva hollywoodiana Nicole Kidman provocou “ohs” e “ahs” ontem em Veneza, como a frágil e jovem viúva que acredita que um menino de dez anos é a reencarnação do seu marido morto, na première mundial de Birth. O perturbador filme do diretor Jonathan Glazer já estreou acendendo a polêmica com cenas provocantes, que mostravam Kidman e o menino na banheira juntos.

O filme é, no mínimo, picante. Em outro “take”, a personagem de Nicole, Anna, beija docemente o jovem Sean depois de se convencer que ele é mesmo o marido morto. “Encantei-me com essa mulher enlutada”, disse Kidman numa entrevista coletiva lotada no Festival de Veneza, onde Birth concorre ao prêmio máximo, o Leão de Ouro. “Não fiquei pensando: ‘quero fazer um filme no qual beije um menino de dez anos’. O que queria era fazer um filme que tentasse entender o amor”, disse a atriz.

Numa entrevista ao jornal La Repubblica, ela negou os boatos de que as partes mais pesadas da cena da banheira tivessem sido cortadas na versão americana do filme. Na história do filme, Anna está finalmente começando a superar a morte do marido, dez anos antes, e se preparando para um segundo casamento, quando o garoto misterioso aparece, afirmando que é a reencarnação de Sean. Por revelar detalhes sobre o relacionamento dos dois que só ela e o marido poderiam saber, o menino convence Anna, a despeito da desconfiança da sua família, chefiada pela dura Eleanor, interpretada por Lauren Bacall.

Cameron Bright vive o jovem e intenso Sean. “Cameron permitiu que eu realmente acreditasse que ele era um homem”, revelou Kidman, que chegou a Veneza dias depois que o ex-marido Tom Cruise passou pela cidade para promover Colateral. Os organizadores foram perspicazes em não deixar o ex-casal se colidir na frente dos fãs.

Uma inesperada reviravolta no fim de Birth revela um filme que vai além do paranormal, para explorar também o amor e a traição.

O diretor do Festival de Veneza Marco Muller, garantiu que a performance de Nicole merecia um prêmio: “Nicole Kidman deveria ganhar, se não, perderei o emprego”, brincou.

Mas o esperadíssimo filme recebeu críticas boas e ruins depois da sessão para a imprensa, no Lido. Ele concorre com 21 títulos e vai encarar competição acirrada com Vera Drake, do britânico Mike Leigh. Nada que desanimasse as centenas de fãs que foram à entrada do Lido para tentar ver Kidman e Bacall, já chamadas de dream team pela imprensa italiana, numa referência ao (quase) invencível time de basquete dos EUA.