Tenso e perturbador, Ilha do medo, novo filme de Martin Scorsese estreia hoje nos cinemas brasileiros permeado de boas críticas (alguns dizem que é o maior sucesso de Scorsce até agora) e de uma vasta bilheteria alcançada nas primeiras semanas de exibição nos Estados Unidos. E não é para menos.

O filme chega ao Brasil cinco meses depois da data divulgada inicialmente e marca a volta da parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio, pela quarta vez, naquele que é considerado pelo ator o melhor e mais profundo trabalho dele com Scorsese. Antes, os dois haviam trabalhado juntos nos filmes Gangues de Nova York, O aviador e Os infiltrados.

Em Ilha do medo, no ano de 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que havia afogado os três filhos em um lago e que estava internada em uma instituição destinada exclusivamente a criminosos com problemas mentais, a Shutter Island (nome original do filme), em Boston, que possui técnicas inovadoras e diferentes de tratar seus pacientes.

Para cuidar do caso, os detetives Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) viajam até a ilha e, no local, eles descobrem que os médicos podem estar realizando experiências desumanas com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e antiéticos (que eram comuns na época, em diversas partes do mundo, com intuito de fazer “descobertas científicas”).

Teddy tenta então buscar mais informações, mas enfrenta a resistência da equipe médica em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que a investigação seja aberta. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação com o resto do mundo, a situação fica mais perigosa e a tensão do filme cresce exponencialmente.

As perguntas iniciais, peças que não se encaixam e o desenrolar da investigação dos agentes federais, típicos de um filme noir, aos poucos vão dando lugar a um suspense psicológico muito bem feito.

A escolha do diretor foi por uma trilha sonora marcante, que começa forte antes mesmo de o filme ter início, quando ainda aparece a tradicional logomarca da Paramount na telona.

Baseada no livro policial do escritor norte-americano Dennis Lehane, a nova produção de Scorsese é realmente inspirada, seja na opção pelos takes, ao recriar a atmosfera dos anos 1950 (permeada de paranoia, depois das experiências da Segunda Guerra Mundial) ou na bela fotografia.

O que está por vir

Enquanto o público pode conferir Ilha do medo nos cinemas e opinar se o novo longa de Scorsese supera Os infiltrados o diretor e DiCaprio já preparam um novo trabalho juntos para os próximos anos, para dar continuidade a uma dobradinha que até agora tem sido de muito sucesso entre os dois.

Dessa vez, o que deve vir por aí é uma cinebiografia sobre Frank Sinatra, na qual DiCaprio vai encarnar o protagonista, mas na qual Scorsese deve manter a voz original de Sinatra nas cenas em que ele deverá cantar.