Nuno Melo: “Vou aonde
um trabalho me interessa…”.

Apesar dos 23 anos de carreira, o ator português Nuno Melo, que interpreta o taxista “boa-praça” Constantino em Senhora do Destino, se sente como um principiante em sua estréia na tevê brasileira. “É como começar do zero”, define. Na trama, Constantino é apaixonado pela dona de casa Rita, personagem de Adriana Lessa, que é casada com Cigano, vivido por Ronnie Marruda, um violento ex-presidiário. Mesmo com toda a relutância de Rita, ela e Constantino estão vivendo um envolvimento amoroso, mas que, segundo o próprio Nuno, será breve. O ator, que mora no Rio de Janeiro há quatro meses, está muito contente com o carinho que o público brasileiro demonstra com relação a ele e ao Constantino. “É um personagem querido, que ninguém quer mal”, comemora.

Em 1992, Nuno atuou na “sitcom” Cupido Eletrônico, uma co-produção da extinta Rede Manchete com a emissora portuguesa RTP, mas que só foi exibida em Portugal, onde o ator fez vários trabalhos na tevê. No entanto, foram apenas duas novelas. Uma delas foi Chuva na Areia, de 1984, na qual ele interpretava um personagem que se suicidava castrando-se. No teatro, Nuno já soma 50 peças. Só neste ano, antes de vir para o Brasil, ele apresentou três espetáculos. O ator também fez alguns longas-metragens, sendo que o mais recente é A Filha, da diretora sueca Solveig Nordlund. Nuno ainda não sabe o que vai fazer e para onde vai quando terminar a novela. “Vou aonde um trabalho que me interessa me leva”, garante.

P –

O que motivou você a aceitar o convite da Globo e deixar Lisboa, onde morava?

R –

Em primeiro lugar, vir para o Rio de Janeiro, que é um lugar que eu adoro. Já tinha vindo ao Rio outras vezes e gosto muito das pessoas e da natureza. Por outro lado, me atraiu a idéia do Constantino ser um personagem misterioso e mais aberto do que o normal em uma novela, o que permite explorar inúmeras possibilidades. Não sei, por exemplo, se daqui a duas semana, ele vai levar um tiro, descobrir uma herança… No teatro, o ator sempre sabe o princípio, o meio e o fim do personagem. Estou gostando muito de poder fazer um papel com esse grau de indefinição.

P –

Como você define o Constantino?

R –

Ele é enigmático, honesto e um romântico de capa e espada, bem à moda antiga, na maneira de abordar a vida e não só na forma de tratar a Rita. Além disso, ele não tem uma classe social definida. O táxi não é uma forma de ganhar a vida, mas sim o jeito que ele encontrou de se integrar na sociedade brasileira. O Constantino não é um típico taxista. Ele lê Fernando Pessoa. Agora como ele está em uma fase de namoro com a Rita, o rumo dele está dependendo muito da vida dela, pois trata-se de uma história de amor e não de sexo. Mas acho que o Constantino não vai ficar preso apenas à relação com a Rita. Ele vai se desenvolver em outras vertentes.

P –

Você teve alguma preparação específica para interpretá-lo?

R

Não. No dia 31 de maio, fiz a última apresentação de uma peça em Lisboa. No dia 1.º de junho, já estava no Brasil e no dia seguinte estava no Projac gravando. Eu precisava de uma preparação de pára-quedista, pois me senti, literalmente, caindo de pára-quedas. Mas o Constantino é um personagem tão indefinido que o que é verdade hoje, pode ser mentira amanhã.

P –

Como é trabalhar na Globo, uma emissora conceituada mundialmente em teledramaturgia?

R-

É uma experiência maravilhosa. A Globo possui a melhor estrutura, excelentes técnicos, diretores e elenco. Além disso, investe muito em teledramaturgia e esse investimento se reflete na qualidade dos produtos. Por causa dessas condições, nesse momento, para mim, como ator português, é muito mais interessante fazer uma novela na Globo do que em Portugal.

P –

Você tinha noção do que era trabalhar em uma novela das oito aqui no Brasil?

R –

Não tinha a menor consciência da importância de uma novela das oito aqui. Eu nem me preocupava com isso. Para mim, novela era novela, independente do horário. Estou impressionado com a quantidade de pessoas que assistem à novela e com a dimensão que ela tem.