São Paulo – Alexandre Borges completou 40 anos em fevereiro. A data foi festejada na Sala Lilian Lemmertz, que a mulher, a atriz Julia Lemmertz, e ele possuem em São Paulo, com a exibição de O gatão de meia-idade. ?Reuni a família e os amigos mais chegados; teve bolinho, foi muito bacana?. O gatão estreiou sexta-feira, 17, em salas de cinco capitais – Rio, São Paulo Belo Horizonte, Brasília e Recife. Borges adora o personagem criado por Miguel Paiva. Sempre foi fã das tiras. Há três anos, quando soube que Miguel queria transpor o Gatão para o cinema e iniciara uma parceria com o diretor Antônio Carlos da Fontoura, Borges passou a sonhar com o papel, mas havia um empecilho – aos 37 anos, parecia muito jovem.

?Essa coisa da meia-idade é complicada. Começa quando? Aos 40, aos 45??, ele pergunta. No fundo, Borges sabe que o problema é de conceito, não de idade. O que o Gatão representa? ?É um personagem em crise, mas acho que vive na contracorrente do que ocorre hoje. O Gatão é uma coisa de mais de dez, 15 anos trás?, avalia. No Rio, onde mora, Borges vê cada vez mais homens de 50 anos querendo ter um corpinho de 35. E dê-lhe ginástica, malhação, corrida na praia. O Gatão é diferente. Ao próprio corpo, prefere o das mulheres. ?E é boêmio, prefere tomar chopinho com os amigos no quiosque?, diz o ator.

Borges acaba de ser eleito, na internet, o Gatão da TV e o bofe do mês, por sua participação na novela Belíssima. Ele adorou fazer o Gatão, mas ouve com atenção as reservas do repórter. Miguel Paiva criou seu personagem em tiras publicadas em jornais. As tiras possuem uma linguagem própria – narram uma piada visual, por mais que tenham o reforço da palavra. E são superficiais, um toque, um pequeno comentário, não mais do que isso. Na transposição para o cinema, a própria narrativa episódica indica que o objetivo talvez fosse criar o equivalente da tira. Não dá muito certo, mas o filme tem pique. Borges tem assistido às sessões de pré-estréia do Gatão. Em geral, são para convidados, gente amiga que não reflete, necessariamente, o gosto do público médio. Ele sente, de qualquer maneira, que as pessoas saem desopiladas do cinema.

No fundo, sabe que o Gatão é um personagem de tragicomédia italiana. Poderia ser muito bem o sexto integrante do quinteto irreverente de Mario Monicelli. É o adulto que chega à crise dos 40 mantendo um comportamento infantil.

A filha vive repetindo -?Pai, como você é infantil? – e o comentário torna-se reiterativo, uma falha que o roteiro poderia ter resolvido de forma mais satisfatória.

Serviço – O gatão de meia-idade (Br/2005, 90 min.). Comédia. Direção Antônio Carlos da Fontoura. 16 anos. Cotação: ruim.