Renato Aragão, o Didi dos Trapalhões, e os filmes do italiano Federico Fellini foram as inspirações para que Selton Mello dirigisse e atuasse em “O Palhaço”, exibido na sexta-feira no Paulínia Festival de Cinema. “É inevitável a referência de Fellini. Ele filmou, de forma definitiva, o teatro”, disse o ator. “Tenho uma ligação afetiva com Os Trapalhões. Didi é nosso Charles Chaplin”, definiu Selton.

O longa conta a história do pai Valdemar (Paulo José) e do filho Benjamin (Selton Mello) que formam a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré. Benjamim não tem identidade ou comprovante de residência. Sua vida é administrar o decadente circo Esperança e percorre o interior de Minas Gerais com apresentações. O palhaço vive um dilema pois não se acha engraçado, e não tem certeza se quer ficar trabalhando no circo pelo resto da vida.

O filme é ambientado nos anos 80 – segundo Selton, a época da juventude da qual sente saudade. A trajetória do palhaço passa por Passos, sua cidade natal, que ele quis homenagear. “É um filme bonito, sobre redenção e volta ao lar”, pontua Selton. Na história, Benjamin é um palhaço deprimido. Segundo o ator, como a maioria dos palhaços. “Há uma anedota antiga sobre palhaços que diz: ‘Um homem deprimido vai se consultar. O médico recomenda que ele vá ao circo rir de um palhaço que tem lá. O paciente, então, responde que é esse palhaço'”.

O elenco tem atores como Moacyr Franco, Sérgio Loredo (o Zé Bonitinho) e Luiz Pereira Neto (o Ferrugem). “Moacyr me confidenciou que, aos 74 anos, foi a primeira vez que atuou no cinema”. Este é o segundo filme de Selton Mello – o primeiro foi “Feliz Natal” (2008). “Me senti mais livre para explorar referências. O primeiro filme você sempre quer fazer com sua cara, mas nem sempre fica do jeito que você quer.” As informações são do Jornal da Tarde.