O estudo de Geografia no passado afirma o sentido do termo território como sinônimo de Estado-nação. Claude Raffestin, na década de 80, destaca o caráter político-administrativo do território, concebendo-o como espaço físico de uma nação, caracterizado pelo poder e pelo trabalho. Berta Becker, na mesma década, o conceitua como algo produzido pela prática social, ou como produto consumido, vivido e utilizado como meio que sustenta a prática social.

Entre diversos outros conceitos, Marcelo Lopes de Souza (1995) define território como rede de relações sociais e como sinônimo de poder. Se alguém interage com seu trabalho em um espaço natural, transforma a natureza e cria valor, pois altera e retrabalha o espaço social.

Surgem, portanto, múltiplos territórios (mendigos, prostitutas, gangues, torcidas de futebol, sem  terra etc.) no interior do Estado-nação, com existência temporária ou permanente no espaço e no tempo.

De acordo com Rogério Haesbaert (1998), o território se expressa de dois modos, como espaço apropriado, no sentido político, e como espaço apropriado no sentido simbólico, ao expressar relações sociais que fortalecem uma identidade. José Magnani (1996) destaca que os grupos agem de diferentes formas, dependendo do momento do dia ou da noite e dão aos mesmos espaços significados diferentes.

Da mesma forma que a poluição ambiental não se limita aos centros industriais que a emitem, mas, pela corrente de ar, viaja a muitos lugares, assim também os diferentes atores, pelo trabalho do espaço social e pelas relações sociais, têm mais poder do que imaginam: podem territorializar e por meio das relações sociais podem exercer transgressões ou submissões às ordens impostas.

Zélia Maria Bonamigo é jornalista, mestre em antropologia pela UFPR, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná

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