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O maior clássico do Rock curitibano será reinaugurado hoje.

O Rock?N?Roll de Curitiba está em festa! Nesta quinta-feira (08) o Hangar Bar está de volta para alegrar os milhares de fãs ?órfãos?, que até hoje nunca esqueceram ?O Templo?, como era chamado.

O Hangar Bar foi criado no início dos anos 90. No começo, era apenas mais um ?boteco?, um ponto de encontro da juventude curitibana. A galera se aglomerava lotando e fechando a rua em frente ao bar no Jardim Social.

Em 1992, o Hangar foi transferido para a Alameda Dr. Muricy, lugar que o consagrou. Neste ano havia fechado o Novak, que era o maior point de metal da cidade e ficava no Largo da Ordem (foi lá que a Gipsy Dream tocou pela primeira vez). As pessoas que freqüentavam iam ao Porko Jones, ao Joe/Vikings (dois bares, um em cima e outro em baixo, ali na rua do Omar), o snooker do Omar, o Dolores Nervosa (que era da Ieda, dona do Wonka),o Syndicate, o Frisco, o 92, o Aeroanta, o Role, o Linus , a Rua 24 Horas, que era recém-inaugurada e era um agito animal lotava todos os dias. O povo ficava vagando pela ?night? curitibana. A galera desta época encontrou refúgio no Hangar, um lugar aconchegante, uma lenda, onde tudo acontecia.

Dario Weisheimer, Promoter do Hangar Bar, conta que não poderia deixar de citar (ao pessoal mais cult daquela época, segundo ele) o Bar do saudoso Saul do Trompete: ?Levei o Chico Science lá e ele ficou alucinado vendo o velho Saul tocar o trompete ensebado dele até às sete da matina!?, conta Dario.

Quando o Hangar abriu na Muricy a proposta era Reggae, Pop e Rock. No primeiro dia tocou Dr. Smith e entraram três pagantes, no segundo dia tocou a Gypsy Dream e a casa lotou. A Gypsy Dream foi durante anos a banda residente do Hangar Bar, foi ela a responsável pelo Bar assumir o formato Metal, trazendo os órfãos do Novak na aquela ocasião. A banda foi uma das primeiras e uma das últimas a tocar no ?Templo do Rock?. A música ?Bad Winds? acabou virando um hino do lugar.

Em seguida a Angelita (dona na época) desistiu do Pop, deixando a ?Quarta Reggae? e o Hangar tomou o formato Metal que o imortalizou. Além do festival de som próprio às quintas. Houve um tempo, no domingo, que existia o ?Hangar Kids? das 18h00 às 23h00 para a galerinha (muito) menor de idade que não conseguia entrar normalmente, mas a creche Hangariana, infelizmente durou pouco.

A lotação era em média de 800 à 900 pessoas na sexta e de 1000 à 1200 no sábado. As 6h00 paravam as bandas e as bebidas. Às 7h00 o som mecânico era desligado e acendiam as luzes. O lugar era tão bom, que as pessoas não iam embora, os seguranças tinham que fazer uma corrente e tocar o povo: ?Até mais galera, amanhã tem mais…?. ?No começo eu, o Dino e o Roni ficávamos driblando eles, depois saíamos e a balada continuava na rua. Diversas pessoas ficavam na Muricy, em frente ao Hangar às vezes até depois das 8h00 conversando. Bons tempos aqueles?, relembra emocionado o promoter Dario Weisheimer.

O Hangar foi o maior Templo do Rock do universo em todos os tempos! Era o arquétipo de um bar de Rockeiros. Um lugar com muito feeling, muita bebida de qualidade, muita gente bonita e muita adrenalina, que ficava por conta do DJ Papa, com seu mega acervo de Rock/Metal.

Segundo Dario, a ?fauna? era variada. ?A maioria eu rotulava por banda: Os ?Nirvana? (tipo os piás do corredor, inclusive o Mocotó), os ?Doors? (como o Jim e o Lu), os ?Iron? (tipo o Bells que era vocalista do Iron Maiden Cover), Os ?Sepultura? (tipo eu e o Roadie que éramos o movimento Headbanger), os ?Death? (Carlão e Zé), etc… Tinham os turistas, os perdidos, tinham figuras como o Raul (um cara muito cover do Raul Seixas), o Che (um revolucionário socialista q só usava camiseta do Che Guevara e boina com broche comunista). Era um universo de gente que povoou o Templo.

As quintas-feiras eram os festivais de bandas de som próprio (undergrounds). Tocavam mais de 300 no ano. As que o pessoal mais curtia naquela época viraram verdadeiros dinossauros do Rock curitibano, tais como: Gypsy Dream, AC/DC Cover (atual Motorocker), Gethsêmane (atual Syd Vinícius), Via Appia, Della Brown, Lakeside, Pantera Cover, Danzig Cover, The Doors Cover, Ramones Cover, Iron Maiden Cover, e outras.

Um dos grupos que mais se destacou, foi o Motorocker que hoje toca direto nas rádios de Rock, já apareceu na MTV e é uma das únicas bandas cover´s do planeta reconhecida pelo AC/DC original. Um fato inusitado aconteceu numa das primeiras apresentações do AC/DC Cover no Hangar. A banda era tão boa, que a ?Crowd? foi a loucura e começou a pular sem parar, foi aí que o chão rachou e todos foram parar no porão do Bar. Neste dia eu estava no Hangar, o Joel, o Dario e vários outros funcionários nos tiraram do meio dos escombros. Mas felizmente ninguém se machucou e posteriormente demos muita risada com aquilo.

Muitas outras bandas do antigo Hangar estão no cenário atual como o Nilton e o Péo da banda Sinhá Moça por exemplo.

?Existia o Roy que fazia as pinturas do Hangar e, em troca, ele tinha um espaço dentro onde fazia uns coquetéis. No terceiro ano ele me chamou para trabalhar no Capeta (drink) com ele e o Beto. O Roy é um artista de muita expressão, ele me ensinou muitas coisas, um irmãozão pra mim. Trabalhar no bar era animal! Agitar as bandas, ver as garotas, se aventurar com um rango do Negão, do Sandrão ou do Juarez. Aquele povo não existe mais, esse astral alternativo de ficar girando copo e qualificando bandas e coisas em pseudo-intelectualidades falsamente undergrounds nunca vão chegar perto do que era a adrenalina de uma noite de Hangar. Não dá pra dizer. Quem viveu viu!?, conta Rafael Oliveira, Diretor Responsável pelo Hangar Bar.

Até os funcionários antigos estão sendo reunidos: ?Nós estamos procurando reunir figuras importantes. O Roy eu tô tentando desde o primeiro Remember, o Joel chefe da segurança não conseguimos localizar. Bodo segurança idem, do Juarez também não sei, Claudinho da portaria idem, o Papa está ocupadão como técnico de som, o Barba a gente quer encontrar à todo custo. Mas o Negão tá dentro, o Dininho, o Sandrão, o Roadie, o Harry, o Careca, eu e o Guspe. E tem o povo que não está envolvido no trabalho mas está por perto como o Marcelão, o Roni, o Vô, a Paty, e mais uma galera. Tudo isso é em memória ao ?véio Erasmo?, ele era o grande responsável pelo Hangar ser o que era. Descansa em paz, oh urubu!?, brinca Dario.

Será muito nostálgica a volta ao Hangar para as pessoas que o freqüentaram. No primeiro Remember eu ficava olhando de cima aquele povo, ouvindo as bandas das antigas, ouvindo o som que rolava no Templo, revendo muita gente, parecia um encontro de arqueologia pela quantidade de fósseis vivos que eu reencontrei ali (rsssssss).

?Tem três amigos das antigas que não quero deixar de lembrar, quero fazer uma homenagem a eles no novo Hangar: Véio Erasmo, Clemente (esteja bem meu grande irmão!) e Marquinho (você foi cedo piá, mas deixou grandes lembranças. Fique bem!)?, diz entristecido o promoter Dario.

Bem, atualmente o momento é outro, tudo é diferente, ele pede algumas mudanças e adaptações. A gente tinha a Estação Primeira (antiga 91.3 FM), tinha bandas lendárias como Iron Maiden, Metallica, Sepultura e outros lançando discos bons, a tendência era o Metal, o momento era Metal, mas hoje tudo mudou.

O Hangar será um novo templo do velho culto, o bom e velho Rock?N?Roll, que pretende acolher os órfãos do templo morto e receber os que não estiveram lá. Vamos ressucitar a ?Quarta Reggae? só que agora no domingo. Vamos ter a ?Quarta Alternativa?, quinta, sexta e sábado o mais próximo do Hangar que se pode chegar, especialmente os clássicos do Rock e o que rolou de interessante de lá pra cá e está rolando hoje.

O Hangar Bar mantém o espírito da boa noite, boa música, adrenalina, luxúria e perpetuação da cultura underground, que vem crescendo muito na cena curitibana.
Outra volta que deve ser comemorada é a da banda Gypsy Dream, um clássico do Rock mundial, que está de volta devido a reabertura do Hangar.

Quando o assunto era rock, não tinha tempo ruim, nem preconceito, quanto mais pesado e alto o som, melhor para satisfazer a veia roqueira da galera. Com o fechamento do Bar em 1998, os fãs do Rock curitibano ficaram órfãos, e agora o Hangar Bar pretende justamente ?relembrar? aqueles anos inesquecíveis na vida daqueles que freqüentaram ou tocaram no Bar.

Não obstante alguns problemas que as bandas encontravam, vemos as pessoas falarem sempre muito bem e saudosamente de tal época, tanto em uma conversa com os músicos, quanto com os freqüentadores é unânime que ?eram ótimos e doidos anos em nossas vidas?.

Algumas bandas que tocaram no Hangar

Gypsy Dream, Via Áppia, Gethsemane,, Bookmakers, Della Brown, Main Street, AC/DC Cover, Lakeside, Black Sabbath Cover, Deep Purple Cover, Ramones Cover, Mama Austria, Kiss Cover, Pantera Cover, Snow White, Danzig Cover, The Doors Cover, Mr. Mojo, Kashmir, Iron Maiden Cover, Metallica Cover, O Caroço, Pearl Jam Cover, Nazareth Cover, Sepultura Cover, Mr Sioux, Unscarred E Nirvana Cover.