Curitiba está pronta para receber mais uma edição da Oficina de Música, um dos maiores eventos do gênero na América Latina. A abertura  será nesta quarta-feira (9), às 20h30, no grande auditório do Teatro Guaíra, com um concerto da Camerata Antiqua de Curitiba.

A 31ª edição da Oficina de Música de Curitiba tem confirmadas mais de 80 atrações, entre concertos, palestras, lançamentos de livros e workshops, além dos 92 cursos com professores de 17 países. Serão 20 dias de atividades intensas e inúmeras apresentações que fazem do festival curitibano um dos maiores da América Latina.

O prefeito Gustavo Fruet e o presidente da Fundação Cultural, Marcos Cordiolli, estarão na cerimônia de abertura. Cordiolli acaba de assumir a presidência da Fundação Cultural de Curitiba e manifestou sua satisfação em iniciar a gestão com um evento tão importante para a cidade e para o país.

Para Marcos Cordiolli, a Oficina de Música é um patrimônio da cidade e um presente para o mundo, em sua diversidade de eventos e gêneros musicais que convivem há três décadas em Curitiba. “Sou um recorrente ouvinte da música antiga, que aprendi a apreciar nas Oficinas de Música durante minha juventude, nos anos 1980. Assim como aconteceu comigo, muitos outros tiveram e terão o primeiro contato com diferentes gêneros musicais na Oficina, abrindo horizontes e apreciando a arte com mais plenitude”, disse.

O concerto

Após a cerimônia oficial, a Camerata Antiqua de Curitiba, sob a regência do maestro argentino Juan Quintana, apresenta um repertório escolhido especialmente para a ocasião. Serão apresentadas duas obras de Mozart, uma do compositor brasileiro Radamés Gnatalli e a “Coronation Anthems”, de Haendel, que traduz a festividade de inauguração da 31ª Oficina. Esta peça, marcada pela exuberância e vigor, foi escrita em 1727 para a coroação do Rei George II e da rainha Caroline, da Inglaterra, e desde então passou a ser interpretada em todas as cerimônias de coroação dos monarcas ingleses.

Na primeira parte, o concerto terá a participação especial de dois solistas, o esloveno Boštjan Lipovšek, que faz o solo de trompa numa das composições de Wolfgang Amadeus Mozart (Concerto para trompa e orquestra nº 1 em Ré maior), e o violonista brasileiro Fábio Zanon, que atua no “Concerto à brasileira para violão e orquestra de cordas”, de Radamés Gnatalli. Boštjan Lipovšek é membro da Orquestra Sinfônica da Eslovênia, mas também se apresenta com a Orquestra Sinfônica de Berlim e a Filarmônica de Israel. É professor da Academia de Música de Zagreb, na Croácia, e vem para dar aulas na Oficina de Música.

O outro solista, o brasileiro Fábio Zanon, é um dos nomes mais respeitados no cenário internacional do violão clássico. Fábio tem se apresentado por toda a Europa, América do Norte, América do Sul, Austrália e Oriente Médio. Foi vencedor de dois dos maiores concursos internacionais: o 30º Concurso “Francisco Tarrega”, na Espanha, e o 14º Concurso da Fundação Americana de Violão, nos Estados Unidos. A essas vitórias seguiu-se uma turnê de 56 concertos nos Estados Unidos e Canadá e o lançamento de seus primeiros CDs. Sua gravação da obra completa de Villa-Lobos, pelo selo americano Music Masters, é considerada uma referência. Desde 2008 é professor visitante da Royal Academy of Music de Londres.

Para reger o concerto, o maestro convidado é o argentino Juan Manuel Quintana, que também fez carreira na Europa, onde se especializou em música antiga. Estudou na Schola Cantorum Basiliensis, na Suíça, e no Conservatório Superior de Paris. Apresentou-se em diversos países nos cinco continentes, com grupos europeus. Participou da montagem e dirigiu óperas na Argentina e no exterior. Atualmente é professor de viola da gamba no Conservatório Manuel de Falla de Buenos Aires e é convidado para ministrar cursos na Espanha, Chile e Brasil.

Tradicionalmente, a Camerata Antiqua de Curitiba, um dos símbolos da cultura curitibana, tem feito os espetáculos de abertura da Oficina da Música. Prestes a completar 40 anos de existência, é considerada um dos mais importantes e também mais antigos conjuntos de câmara do país. Formada por coro e orquestra, a Camerata já fez várias apresentações no Brasil e exterior. Em Curitiba, mantém um calendário anual de concertos realizados em sua sede, a Capela Santa Maria Espaço Cultural, e também em igrejas e outros espaços culturais. A Camerata, que iniciou suas atividades em 1974, dedicando-se à música barroca e da renascença, hoje tem um repertório diversificado, onde figura a execução de obras dos grandes nomes da música erudita universal. Nos últimos anos, obteve sucesso e reconhecimento em diversas estreias nacionais e mundiais, inclusive de obras comissionadas especialmente para o grupo.

Muitos outros concertos estão programados já a partir de quinta-feira (10). A apresentação do Quarteto de Cordas Lopes Graça, de Portugal, e o recital de piano da polonesa Magdalena Lisak são as próximas atrações. A programação completa está disponível no site www.oficinademusica.org.br.