oratorio07.jpgEstréia hoje, dentro da programação do Festival de Verão do Teatro Lala Schneider, o espetáculo Oratório em 11 Cantos, texto adaptado e dirigido pelo talentoso Marino Jr., a partir de original do dramaturgo alemão Peter Weiss. O espetáculo mostra o julgamento dos carrascos nazistas por sua atuação no campo de concentração de Auschwitz.

Em Frankfurt (Alemanha), ocorre entre 20 de dezembro de 1963 a 20 de agosto de 1965 o processo conta esse grupo de militantes SS e funcionários do campo de concentração. Ao longo de 183 dias são ouvidos 409 testemunhas, 248 das quais escolhidas entre os 1500 sobreviventes do campo, que prestam seus depoimentos contra 18 acusados.

Em 1964 o dramaturgo alemão, de origem judia, Peter Weiss acompanhou o processo, visitou o campo, viu as figuras dos acusados e das testemunhas e assistiu à tentativa de imputar na justiça humana crimes inconcebíveis. ?Assim, encontramos material para a obra que deu origem ao nosso ?Oratório em 11 cantos? onde num verdadeiro inferno laico e contemporâneo, o espetáculo transcende a significância do processo e adquire o lirismo de uma tragédia antiga?, explica Marino Jr., responsável pela adaptação do texto e direção do espetáculo. ?apesar de termos adotado os fragmentos mais marcantes e emocionantes do texto, no espetáculo não é dita sequer uma palavra que não tenha sido pronunciada naquele julgamento no qual quase todos os acusados foram considerados inocentes?, conclui Marino.

Em 1965, a peça estreou concomitantemente nas duas Alemanhas e logo em seguida em diversos outros países. A reação foi imediata: ameaças de bombas, protestos, cartas para jornais. De um lado os que julgavam fundamental lembrar. Do outro os que achavam que era hora de esquecer. Peter Weiss disse nessa época que a partir dos campos a arte era impossível. Noções como o belo, a harmonia e tantas outras não faziam mais sentido. Era preciso desmistificar a arte, desmistificar os campos e desmistificar a sociedade que tinha gerado os campos. Os campos não eram um acidente de percurso.

Quarenta anos depois palavras como aptos, inaptos, excluídos, massacre, chacina e extermínio ainda fazem parte do nosso vocabulário cotidiano e por isso trazer à cena fragmentos deste julgamento é tão importante. Com uma estética provocativa e atual a montagem pode ser classificada como uma tragédia sem catarses, onde a teoria de distanciamento de Brecht é aplicada de forma a tornar a palavra o elemento cênico mais forte.
 
?Oratório em 11 Cantos? foi um dos destaques do IX Festival do Teatro Lala Schneider, no qual foi vencedor dos prêmios de Melhor Ator segundo o voto popular, para Marcelo Capone e, segundo o júri oficial do evento, dos prêmios de Melhor Atriz para Adriana Sottomaior e Melhor Espetáculo.

O espetáculo fica em cartaz até o dia 16 de fevereiro no Teatro Lala Schneider em horário alternativo. Sempre às quartas e quintas-feiras às 21 horas.

Serviço
Oratório em 11 Cantos
Quartas e Quintas-Feiras às 21 horas, até 16 de fevereiro no Teatro Lala Schneider. Rua 13 de maio, 629 ? Fone 3232-8108.
Ingressos: R$ 10,00 (inteira), R$ 8,00 (bônus) e R$ 5,00 (estudantes, idosos).