Nos últimos meses, Sidney Sampaio passou a sentir na pele o chamado preço da fama. Já há algum tempo, o ator, que interpreta o Felipe de Alma Gêmea, figura entre os campeões de cartas da Globo. Para se ter uma idéia, o malote, que ele recebe toda semana tem em média de 600 correspondências, já chegou a ter 4 mil em um único mês. Difícil é, além de ter de decorar os textos da novela e dar atenção à vida pessoal, ler e responder a todas as cartas que chegam. "É complicado arrumar tempo para ler tudo, é uma loucura, mas eu tento. Claro que esse retorno do público me deixa feliz, é um estímulo", conta.

Para Sidney Sampaio, tanto carinho dos fãs, ou melhor, das fãs, é um sinal de que seu trabalho está sendo bem-recebido. E ele procura retribuir. Mas na impossibilidade de ler e responder pessoalmente cada carta, Sidney criou um questionário básico, com respostas às perguntas mais freqüentes das fãs, que o ator envia para quem se corresponde com ele. Afinal, a maioria pode ser classificado em temas, como incentivo, pedidos de casamento, pedidos de dinheiro, etc. Apesar do grande volume de cartas, ele considera a leitura dessas mensagens uma terapia. Algumas, no entanto, ele não consegue enquadrar nestas categorias por trazerem solicitações menos corriqueiras. "Já teve até gente querendo perder a virgindade comigo!", diverte-se.

O sucesso de público coincide com um momento de maior projeção na carreira de Sidney. Em seu terceiro trabalho na televisão estreou como o Daniel, na temporada 2001 de Malhação, e depois passou despercebido como o Guilherme, de Canavial de Paixões, do SBT -, é a primeira vez que o ator tem um papel de maior consistência. A resposta positiva do público, aliada ao fato de estar em uma trama de época e com texto de Walcyr Carrasco, faz Sidney, inevitavelmente, exaltar seu atual momento profissional. "Considero esta a minha primeira novela de verdade, um trabalho mais denso. E o ator quer sempre fazer algo que exija mais", acredita.

O trabalho mais denso e exigente a que se refere o ator se torna ainda mais complexo por se tratar de um tipo bonzinho. Na pele do bom moço Felipe, Sidney vem experimentando em Alma Gêmea as dificuldades de fazer um personagem tranqüilo e bom caráter, sem as pitadas de tempero intrínsecas a qualquer vilão que se preze. E ele sabe bem disso. Afinal, seu "début" televisivo como o Daniel, da temporada 2001 de Malhação, lhe ofereceu um personagem atormentado que, se não era um vilão clássico, tinha suas crises de identidade. Sidney, no entanto, garante não ter preferência por um ou outro tipo. "Não existem personagens ruins, existem atores ruins. Mas é mais difícil deixar um bom moço interessante que um vilão", teoriza.

A trama de época foi outro aspecto que atraiu o ator no convite para fazer a novela das seis. Isso porque ele admite que estudar costumes passados sempre o seduziu. Além disso, para Sidney, o tema central da novela, a reencarnação, é um assunto capaz de prender a atenção. Apesar de tratados de forma suave e romantizada, Sidney considera que temas como amor eterno e vida após a morte são interessantes mesmo para quem não é místico. "É um assunto polêmico. Pessoalmente, no que diz respeito a religião, não acredito em nenhuma verdade absoluta. Então, por que não considerar a possibilidade da reencarnação?", argumenta.

Na busca por consolidar uma carreira, Sidney acha que foi bom exercitar diferentes facetas de sua personalidade até chegar a encarnar o Felipe em Alma Gêmea. Na adolescência, além de participar de grupos de teatro amador, foi jogador de basquete até os 17 anos, vocalista de banda de rock até os 19 e modelo até os 21. E foram justamente os desfiles e campanhas publicitárias os responsáveis por levá-lo a fazer um teste para Malhação. "Nunca fiz curso de teatro, nem pensava nisso. Até que um dia surgiu o interesse pela dramaturgia e a carreira de modelo acabou sendo uma ponte", revela.