Cena de O Preço da Paz: longa caiu
nas graças do público.

Não foi o maior prêmio – o kikito de melhor longa-metragem (júri oficial e crítica) foi para De Passagem, do estreante paulista Ricardo Elias, que levou também os troféus de direção, roteiro e ator coadjuvante, superando o aplaudidíssimo Apolônio Brasil – Campeão da Alegria, de Hugo Carvana, agraciado com o Prêmio Especial do Júri. Mas a cinematografia paranaense volta da Serra Gaúcha com a sua melhor participação no Festival de Gramado – sete troféus, os três do longa O Preço da Paz, de Paulo Morelli e Maurício Appel (melhor filme na votação do júri popular, melhor montagem e direção de arte), mais os quatro do média-metragem Paisagem de Meninos, de Fernando Severo.

Exibido na última noite da mostra competitiva, sexta-feira, O Preço da Paz foi muito bem recebido pelo público. Com um elenco estelar, composto pelo paranaense Herson Capri e mais Lima Duarte, Giulia Gam e Camila Pitanga, o filme conta a história do Barão do Serro Azul e o drama paranaense de servir de palco para a guerra envolvendo os revolucionários gaúchos – os maragatos – e as forças do Presidente Floriano Peixoto, chamados de pica-paus por causa das cores de seus uniformes. “Dedico este troféu a todas as pessoas que são capazes de abraçar uma causa por um Brasil melhor”, disse Maurício Appel no emocionado discurso de agradecimento. Entre os longas, também foram premiados Noite de São João, de Sérgio Silva (melhor ator – Marcelo Serrado, melhor atriz coadjuvante – Dira Paes, fotografia e música) e Dom, de Moacyr Góes, que concedeu à paranaense Maria Fernanda Cândido o kikito de melhor atriz.

Mostra Latina

Na mostra latina, o júri confirmou as expectativas ao eleger o espanhol Los Lunes al Sol, de Fernando Leon de Aranoa, como melhor filme. A produção abocanhou ainda o prêmio de melhor ator, para Javier Barden, a premiação da crítica e o prêmio de melhor diretor. O uruguaio Corazón de Fuego, de Diego Arsuaga, conquistou os prêmios do júri popular e o troféu especial do júri, enquanto o argentino Lugares Comunes deu a Mercedes SamPietro o troféu de melhor atriz.

Crítica e júri voltaram a divergir na premiação de melhor documentário. Enquanto a imprensa apostou todas as fichas em O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, os julgadores preferiram A Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel. O Prêmio Especial do Júri foi para a pesquisa e recuperação de imagens de O Risco, Lúcio Costa e a Utopia Moderna, de Geraldo Motta Filho. Agora é torcer para que esses filmes passem por aqui.