A Feira do Livro de Frankfurt, que começa amanhã, homenageia o Brasil. Mais de 70 autores nacionais foram convidados pelo Ministério da Cultura e por suas editoras, mas nem tudo é festa.

Ontem, o escritor João Paulo Cuenca divulgou no Facebook um manifesto para ser divulgado na abertura do evento apoiando a greve de professores no Rio, ‘como parte da luta pela melhoria da qualidade do ensino público no Brasil’. O texto assinado por vários autores – entre eles Luiz Ruffato, que fará a conferência de abertura – repudia a violência policial nas manifestações e pede ‘um amplo debate sobre a atuação da polícia no país’.

Outra bronca que os escritores devem levar à Frankfurt é a obrigatoriedade de autorização prévia de retratados para a publicação de biografias no Brasil. ‘Nesta quarta, faço apresentação no estande da CBL da Book Fair sobre o sucesso das biografias históricas no Brasil. […] Defenderei mudança na lei brasileira que dificulta a publicação de biografias isentas. Não às biografias chapa-branca!’, escreveu Laurentino Gomes, autor do best-seller ‘1889’, no Twitter.

Nepotismo

Na semana passada, o escritor Paulo Coelho (foto) anunciou ao jornal alemão Die Welt sua desistência de integrar a delegação brasileira em Frankfurt. Na entrevista, ele diz que ‘duvida’ que todos os 70 convidados sejam escritores, que conhece só 20 dos nomes e que ‘presumivelmente são amigos de amigos de amigos. Nepotismo’.

Coelho usou como argumento para a desistência o fato de não ter conseguido incluir na lista autores de sua predileção, como Eduardo Spohr e André Vianco, para ele mais relevantes que muitos dos selecionados. Fontes ligadas ao MinC dizem que o autor esperava um tratamento especial por ser o escritor brasileiro mais vendido no mundo.

Até sexta, Coelho dizia que iria à feira apenas para dar duas entrevistas à TV alemã. Se resolver aparecer, como na homenagem ao Brasil em 1994 no mesmo evento, deve roubar a cena.

Racismo

Autor de Cidade de Deus, Lins lança na Alemanha seu segundo romance, ‘Desde que o samba é samba’. Em entrevista ao jornal rnal alemão Tagesspiegel, o escritor Paulo Lins disse que a lista de autores brasileiros convidados é racista e não representa o Brasil. ‘Eu sou o único autor negro dessa lista. Em que caso isso não é racismo?’, afirma Lins.