Cena com o principal personagem
do drama no ano passado.

Uma cena mostrando o milagre da multiplicação dos pães será a grande novidade da tradicional encenação da paixão de Cristo, realizada há 26 anos, pelo Grupo Lanteri, em Curitiba. O espetáculo está marcado para 19h da próxima sexta-feira, na Pedreira Paulo Leminski, onde o grupo se apresenta desde 1991. Além da gratuidade da encenação, o próprio Lanteri está oferecendo ônibus gratuitos que vão começar a sair desde 16h da Praça Tiradentes.

Este ano, cerca de oitocentos atores vão participar da encenação, um pouco menos que na apresentação passada, quando foram mais de mil pessoas. “Existe uma rotatividade muito grande”, justificou o diretor de produção e um dos fundadores do Lanteri, Júlio César Miranda do Rosário. Entretanto, ele prometeu um grande espetáculo para as pessoas que forem até a pedreira. “O nosso segredo é que somos amadores, mas fazemos a peça como profissionais”, disse, afirmando que o grupo faz tudo para que texto e figurino sejam sempre bonitos.

A encenação tem exatamente duas horas de duração. São 36 cenas em oito palcos distribuídos em toda pedreira. A expectativa de público é de cerca de 25 mil pessoas.

História

Rosário contou que o grupo começou a fazer a encenação em 1978. “Éramos cerca de 45 jovens ligados à Paróquia São Paulo Apóstolo, na Vila São Paulo. Resolvemos interpretar a Paixão de Cristo, pois um de nós era seminarista”, contou. Ele disse que, no segundo ano da encenação, o envolvimento das famílias foi ficando maior e o número de pessoas também. “As mães dos atores começaram a ajudar com o figurino”, lembrou, destacando que a maior divulgação do espetáculo começou com uma visita do ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner (PSB). “Numa Sexta-Feira Santa, que eu não lembro o ano, ele foi até o bairro, viu e disse que teria que levar o espetáculo para o Centro da cidade. Já tínhamos cerca de duzentos integrantes”, contou. Então o Lanteri foi fazer a encenação no Largo da Ordem. Todavia, o espaço era pequeno e a encenação foi levada para a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu. “De lá voltamos para o Largo da Ordem a pedido do Rafael Grega. Mas ficamos só um ano e então fomos para a pedreira, onde fazemos a encenação desde 1991”, recordou Rosário.