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A maléfica Zilda, de Cássia Kiss, traz bons momentos.

O feitiço virou contra o feiticeiro em Eterna magia. A trama das seis, que prometia personagens encantados vindos da glamourosa Irlanda dos anos 30s e 40s, acabou tendo que ser completamente reformulada com o fracassado ibope – 22 pontos em média. A novela, cuja a antecessora O profeta chegou a ter 40 pontos na reta final, agora tenta se equilibrar numa varinha de condão com 27 pontos de média e share de 46%. Ou seja, Eterna magia não tem o menor dom de encantar donas-de-casa e crianças, os que mais assistem a faixa das seis na Globo. A ingenuidade da trama até agora parece inexpressiva até para os jovens que se encantam com os mágicos poderes de sucessos como Harry Potter. Isso sem falar no caráter antiquado da novela, cujo próprio conteúdo e produção também parecem ser de antigamente.

Independentemente de a autora Elizabeth Jihn jurar, a ausência de bruxaria na trama e passar a chamar as ?vilãs? de fadas, a história é apropriada para os telespectadores que buscam apenas diversão, sem muitas pretensões quanto ao acabamento de figurinos ou cenários, por exemplo. No entanto, a caracterização que mais se destaca é a de Cássia Kiss, como a interessante Zilda. Com um visual inspirado na pérfida Cruela Cruel, do longa infantil 101 dálmatas, a atriz está cativante como a típica malvada de contos de fadas. Só falta colocar criancinhas em um caldeirão fumegante. Outras atuações que se sobressaem são de Werner Schünemann, Irene Ravache e Eliane Giardini, como Max e Loreta e Pérola.

Já o trio de protagonistas, composto por Maria Flor, Thiago Lacerda e Malu Mader como, respectivamente, Nina, Conrado e Eva, é mais soporífero que a maçã envenenada da bruxa má. O triângulo amoroso, que se desfez na primeira fase da história, volta com força total nesta segunda fase. Mesmo assim, não desperta qualquer emoção. Talvez fosse mais interessante se o príncipe virasse sapo. Igualmente constrangedor é o personagem Jair, de Marcelo Saback. Como um típico lobo mau, o malvado só sabe apavorar criancinhas numa casa no bosque. Trata-se da residência de Joaquim, de Osmar Prado, e seus filhos. O tom amadorístico do personagem esmurrando a porta atrás do pequeno Quinzinho, vivido por Guilhermo Hundadze, ou mesmo abordando as crianças na mata só serve para assustar o público infantil. Que, prudentemente, parece andar mudando de canal.

Um dos poucos acertos da produção é o resgate de antigas canções de astros dos anos dourados, como Dick Farney, Dalva de Oliveira e Sílvio Caldas. Os acordes de décadas atrás, entoados por canções clássicas da MPB, ameniza o resultado pouco satisfatório da obra. Seria uma boa idéia rever os outros ingredientes desta desastrosa poção mágica.