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Exceto uma abertura reformulada e alguns personagens novos, poucas foram as transformações entre a novela e sua antecessora, Caminhos do Coração.

Já era de se esperar que Os Mutantes chegasse ao ar com uma imensa sensação de ?déjà vu?. Exceto uma abertura reformulada e alguns personagens novos, poucas foram as transformações entre a novela e sua antecessora, Caminhos do Coração. Tanto que a transição nem foi sentida, a começar pelo fato de que o primeiro capítulo deu continuidade ao julgamento da protagonista, que não chegou a ser finalizado na história anterior. Os conflitos são semelhantes, os seres bizarros continuam se multiplicando entre os personagens e até os protagonistas são os mesmos.

De novidade mesmo, só a estratégia de antecipar o horário e exibir a trama às 20h40. Tática inteligente, levando-se em consideração a estréia de A Favorita. Todo o marketing de apresentar uma novela nova embalada em uma continuação de outra que já segurava 18 pontos de audiência garantiu o recorde de estréia na nova fase de teledramaturgia da emissora, com 22 pontos de média e pico de 25, cinco pontos superior ao da própria Caminhos do Coração, que, na estréia original, em agosto do ano passado, alcançou 17.

A mudança de horário é explicada pela emissora com uma pesquisa que revelou o perfil dos telespectadores de Caminhos do Coração. De todas as pessoas que assistiam ao folhetim, 28 % eram crianças. Com isso, o novo horário favorece o crescimento dessa faixa etária e ainda atrai os adolescentes. Para sustentar esse público e elevar a média geral da Record na faixa de novelas, entre 20:40 h e 22:45 h, a estratégia do autor Tiago Santiago que também é consultor de teledramaturgia foi investir no que já se tornou a grande marca das tramas da Record. As cenas de ação, agora aliadas aos efeitos especiais envolvendo os mutantes, se destacam e movimentam a novela na disputa entre a Liga do Bem e a Liga Bandida. O resultado é uma formatação em um misto de história em quadrinho e série, já que o passado dos personagens e situações relevantes são constantemente relembradas em flashbacks e chamadas. Chega a ser irônico, porque a Record divulga que não investirá em séries até que o núcleo de dramaturgia aumente ainda mais sua audiência. Mas produz a cada noite uma espécie de episódio desta linha de produto.

A originalidade do texto ainda é baixa. Primeiro, pela semelhança entre os mutantes criados por Tiago Santiago e aqueles exibidos na série de tevê Heroes e nas histórias em quadrinhos dos X-Men. Além disso, basta assistir esse vai-e-vem de personagens que tentam sair da ilha fictícia para se lembrar dos sobreviventes do acidente aéreo de Lost. Isso sem contar na profecia de Janete, de Liliana Castro, ?Salve os bebês, salve o mundo?. Pelo visto, qualquer semelhança com a famosa frase ?Salve a líder de torcida, salve o mundo?, tão repetida na série Heroes e exibida pela própria Record, não é mera coincidência.

No que diz respeito ao elenco, Tiago Santiago parece ter escolhido bem que personagens não seriam mais necessários nesta nova empreitada. Os malsucedidos se foram. Helga, de Preta Gil, e Amália, de Mônica Carvalho, são bons exemplos. Melhor para ele, que pode contar com um grupo de ?sobreviventes? mais preparado para disfarçar a inexpressividade de alguns novos. Como a mulher-aranha Ariadne, da ex-Miss Brasil Natália Guimarães. A personagem só serve para embelezar algumas seqüências e falar em procriação. Ou até mesmo Samira, a gêmea má de Maria, interpretação dupla de Bianca Rinaldi. Como mocinha, a atriz se sai bem. Mas seu início na pele da grande vilã desta nova fase deixou muito a desejar. No Depecom, o grande destaque fica por conta de Miriam Freeland e Petrônio Gontijo, que encarnam a delegada Marta e o mau-caráter Fredo. Por enquanto, os dois parecem totalmente à vontade e fazem do núcleo um dos mais proveitosos da história.

Os Mutantes – De segunda a sábado, às 20h40, na Record.