Banda Terminal Guadalupe ?atrás das grades?.

A ala desativada da Prisão Provisória de Curitiba foi a principal locação do videoclipe de Pernambuco chorou, o primeiro da banda Terminal Guadalupe. O diretor Ricardo Spencer, vencedor do VMB e do Prêmio Multishow, colocou o grupo atrás das grades durante a gravação. ?A música é sobre a falência do sistema penitenciário e suas implicações, então fazia sentido colocar os integrantes do TG nas celas para nas celas invocarmos plasticamente essa dimensão que nem a imagem e nem o áudio conseguem sozinhos?, justifica o cineasta. ?Um cenário permite licenças poéticas, mas nada é mais forte do que a própria verdade do lugar?, afirma o vocalista e letrista Dary Jr.

Por falar em verdade, Pernambuco chorou, música de trabalho do álbum inédito A marcha dos invisíveis, é uma canção inspirada no documentário O prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento. O Terminal Guadalupe ainda não definiu por qual selo ou gravadora será lançado o novo disco, mas já tinha escolhido o baiano Spencer como o diretor do clipe.

?Foi indicação de Tomás Magno, nosso produtor?, revela o guitarrista Allan Yokohama. ?Spencer ouviu a música, gostou e topou fazer o clipe pelo orçamento mínimo?. As filmagens foram realizadas no último fim de semana, com produção da Easy Filmes, sob o comando de Marlene Seraphim.

Spencer iniciou a carreira nos anos 90s, em Salvador, onde fez vídeos para bandas como brincando de deus. Entre os trabalhos mais recentes do diretor estão os clipes dos grupos baianos Sangria e Cascadura e do gaúcho Cachorro Grande. Antes, foi premiado pelos clipes de Déja Vu e Memórias, ambos para a cantora Pitty. No trabalho com o Terminal Guadalupe, Spencer teve total liberdade de criação ao filmar a história de um detento assombrado pelo passado que construiu ou idealizou. O resultado foi tão bom que o diretor estuda ir além do clipe. ?Temos material para algo maior, mas não é hora de falar nisso?, despista.

Salto

A gravação de um clipe com qualidade é mais uma etapa que o Terminal Guadalupe cumpre para extrapolar o circuito independente. O novo álbum foi gravado na Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ), o mesmo onde Maria Rita e O Rappa gravam seus discos. Em janeiro, a revista Veja publicou reportagem de Sérgio Martins sobre as bandas alternativas brasileiras e cravou: ?O Terminal Guadalupe tem sonoridade à prova de chatice e está próximo de estourar?. Em 2006, o crítico e escritor Arthur Dapieve elogiou a banda e disse que ela ?já estava na hora de sair do gueto independente-alternativo?. O colunista Marcelo Costa (Scream & Yell e Portal IG) foi mais longe: ?O TG é futuro do rock nacional?.

O site da banda está em construção, mas parte do novo material está disponível no My Space (www.myspace.com/terminalguadalupe). Além do mp3 de Pernambuco chorou, que pode ser baixado, três músicas inéditas foram liberadas para audição. O grupo formado por Allan Yokohama (guitarra e voz), Dary Jr. (voz e letras), Fabiano Ferronato (bateria) e Rubens K (baixo) ganhou reforço depois de gravar o novo disco. Lucas Borba, de apenas 18 anos, fez três shows com o TG e foi efetivado como segundo guitarrista.