Pode ser que você ainda não tenha passado por alguma situação de preconceito na família, mas certamente conhece alguém ou já presenciou alguma cena do tipo. É sobre este assunto que trata a peça Além do que os nossos olhos Registramque vem com um time de peso e conta histórias verdadeiras que de certa forma se misturam com o cotidiano das pessoas. A peça está em cartaz neste sábado (19) e domingo (20), no Teatro Guairinha, em Curitiba.

Atrizes interpretam vó, mãe e neta numa peça que fala sobre preconceito. Foto: Lineu Filho.
Atrizes interpretam vó, mãe e neta numa peça que fala sobre preconceito. Foto: Lineu Filho.

No elenco, as atrizes Priscila Fantin, Olivia Torres e Silvia Pfeifer são mãe, filha e avó. A história trata sobre a convivência de três gerações de mulheres, apoiando e enlouquecendo umas às outras. Delfina (Silvia Pfeifer) é uma mulher que sempre teve a cabeça livre de preconceitos. Violeta (Priscila Fantin) é uma mulher que vive de aparências e a filha, Sofia (Olivia Torres) vive um dilema sobre como expor sua própria sexualidade para evitar um casamento arranjado.

Em entrevista à Tribuna do Paraná, as atrizes detalharam um pouco sobre como todo esse imbróglio se desenvolve ao longo da trama da peça. “São histórias que, de alguma forma ou outra, alguém já passou em alguma situação. O que a gente faz é passar uma mensagem legal às pessoas”, define Silvia. “Mas de uma forma muito leve e que chega até a ser cômica em alguns momentos”, explicou Priscila.

A personagem de Olivia Torres vive numa relação conflituosa com os pais, por sua sexualidade. Ela encontra na avó o apoio que esperava de sua mãe, mas que por motivos de manter as aparências e fazer com que seu casamento arranjado funcionasse, não existe. Ao mostrar essa complicada relação entre mãe, filha e avó o espetáculo consegue expor, de maneira emocional, as agruras e alegrias do universo feminino e também de uma família, de modo mais amplo.

Comédia ou drama?

O espetáculo passeia entre a comédia e o drama. “É uma história que faz com que, em alguns momentos, as pessoas deem risada, muita risada. Mas também tem outros momentos que a gente percebe que o público está rindo mais de nervoso do que tudo, sabe? Assim como na vida real”, considerou Silvia.

As personagens são pessoas comuns, dessas que encontramos ao longo da vida e, por isso, são tão fascinantes. Delfina, quando jovem, se casou com um negro, a família era contra e mesmo assim enfrentou todos os preconceitos. Violeta nasceu com traços da mãe, mas casou-se com um homem mais velho e rico, por interesse, e dessa união nasceu Sofia. A jovem, apesar de sempre muito acobertada, tem que se casar com um rapaz bonito e de família importante. “Mas ela não gosta da ideia simplesmente porque ela não gosta de homem e é aí que o problema se desenvolve”, explicou Olivia.

Quando Sofia assume ser lésbica, o mundo de Violeta desmorona e ela põe para fora todo o seu preconceito até então velado. Durante um encontro na casa de Delfina, as três mulheres tiram as máscaras e expõem suas opiniões e verdades. É uma história que precisa ser contada e assistida. O público, além de se identificar de imediato, sairá do teatro com boas reflexões. “E, pra gente, a resposta é sempre imediata. Na maioria dos casos, até durante a peça mesmo. Percebemos que as pessoas se identificam”, disse Priscila.

Foto: Lineu Filho.
Foto: Lineu Filho.

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