Assim como quem canta, quem dança seus males também espanta. Pelo menos é isso o que dizem as pessoas que se dedicam e são apaixonadas pela arte da dança em Curitiba. Elas garantem que, entre um passo e outro, conseguem deixar de lado a tristeza, o mau humor e todo estresse do dia-a-dia.

?A dança faz bem para meu corpo, minha cabeça e minha alma. Vivo dela, que é tudo em minha vida. Em Curitiba, ainda existe pouco incentivo e faltam festivais de dança. Entretanto, há muitos bailarinos competentes e que amam o que fazem?, diz a coreógrafa Eliane Fetzer, que tem 44 anos de idade, começou a dançar aos nove e desde o ano passado é proprietária de uma escola na capital.

A manifestação artística também trabalha com conceitos que podem ser apreendidos e utilizados em outros setores da vida. ?A dança trabalha muito com a disciplina, a superação de limites, o alcance de objetivos e a responsabilidade. Trabalho como professora de dança e é muito prazeroso ver a evolução dos alunos tanto como artistas quanto como pessoas?, afirma a professora de ballê clássico Vivian França, que está com 29 anos e se tornou bailarina aos 11.

Entre as crianças, muitos dos benefícios citados por Vivian são percebidos com maios facilidade. Segundo a coreógrafa Vanessa de Castro, que trabalha com o público infantil, o ato de dançar desenvolve a criatividade de tal forma que a mesma acaba se refletindo sobre as atividades escolares. Além disso, a arte torna as crianças muito mais sociáveis.

?Dançar ajuda a vencer a timidez, pois as crianças passam a conviver com outras menos ou mais desinibidas do que elas, adquirindo autoconfiança. Falo isso por experiência própria. Comecei a dançar aos 15 anos, sempre fui muito tímida e ainda sou um pouco. Porém, melhorei bastante depois que comecei a me dedicar à dança?, declara.

Para começar a dançar, também não existem limites de idade. Prova disso acontece nas academias de dança latina do dançarino Walmir Secchi, localizadas nos bairros Alto da XV e Champagnat. Nos locais, é possível encontrar alunos de 8 a 80 anos de idade. ?A dança é uma atividade que as pessoas mais idosas realizam por elas mesmas, não para agradar filhos e netos. Ela promove o resgate da auto-estima e, com isto, torna a pessoa mais aberta para outras conquistas, como por exemplo a amizade. Muitas pessoas descobrem um mundo novo através da dança e se sentem valorizadas por descobrir que podem fazer uma coisa que anteriormente não se sentiam capazes?, revela o empresário e professor de dança Walmir Secchi.

Bailarinos

Ao contrário do que muita gente pensa, a dança não é uma atividade exclusiva para o público feminino. No meio, existem muitos homens, que atuam como bailarinos profissionais ou mesmo amadores, pelo puro prazer de dançar. O bailarino Samuel Laurindo, que se dedica à dança contemporânea, tem 22 anos e começou a dançar aos 8, é um exemplo. Ele conta que também sente diversos benefícios provenientes da dança. Entretanto, revela que já foi vítima de preconceito por praticar a atividade.

?Muitas pessoas associam os homens que dançam ao homossexualismo. Acham que não é coisa de homem, o que é puro preconceito. No começo, eu ligava mais para isso. Hoje, já não me chateio mais. Os benefícios trazidos pela dança superam tudo isso. A atividade faz com que tenhamos maior alinhamento de coluna, contribui com a força e o aumento da massa muscular.?