Depois de mais de 30 anos firmes e fortes na música brasileira, eles se tornaram grandes exemplos de que o sucesso pode não ser passageiro se existir amor ao trabalho. Assim talvez possa ser definido o grupo Raça Negra, que se apresentou no último sábado (28), na Live Curitiba. À Tribuna do Paraná, Luiz Carlos, o vocalista, disse que tem sido muito bom poder continuar vivendo o sonho.

O cantor comentou que gosta muito de se apresentar em Curitiba não só pelo público, mas também pela versatilidade que a cidade tem com as opções de espaços para os shows. “Curitiba tem um lance muito bom, que poucos lugares possuem, que é a mudança: hoje estamos numa casa, outra vez podemos tocar na Ópera de Arame e sempre vai lotar”, explicou Luiz.

Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Lucas Sarzi.

Além das opções, que o próprio cantor fez questão de lembrar que já se apresentou em quase todos os palcos da cidade, Luiz também reforçou que é sempre muito grato aos fãs. “Porque o curitibano quando gosta do artista, ele prestigia e vai sempre. Se ele gosta, ele gosta. Agora, se ele não gosta, danou-se. Por isso que só guardo lembranças boas da cidade”.

Numa verdadeira viagem pelo passado, num show cheio de hits, o grupo também mostrou que tenta se aproximar sempre do presente. “Principalmente porque a música não tem idade. Ela se eterniza e você tenta se modernizar, acompanhar a cabeça das pessoas, sem perder a sua identidade, mas procurando seguir as mudanças que acontecem”.

Com o passar do tempo e da popularidade que o Raça Negra ganhou na internet, o grupo passou a ser considerado como uma banda cult e, por muitas vezes, vintage. “Mas pra gente não tem isso não. Você rotular a música é muito difícil, porque música é música. Quando ela é boa, ela é boa em qualquer ritmo”, disse Luiz, que brincou dizendo que, nestes mais de 30 anos de banda, o grupo continua com a essência de antes. “A banda continua do mesmo jeito, com um monte de negão”.

Fiel ao público, mesmo com todas as mudanças que o grupo já passou, Luiz comentou que o que tem feito com que os shows sigam e a banda fique firme são os fãs. “Porque o artista depende muito dos patrões, que são as pessoas que vão aos shows, que compram nossos discos, os contratantes. Nós temos que deixar sempre essas pessoas felizes com a nossa música, não importa de que forma”.

Casa de shows lotou no dia da passagem do grupo. Foto: Lucas Sarzi.
Casa de shows lotou no dia da passagem do grupo. Foto: Lucas Sarzi.

Família fã

Com faixa na cabeça e até um cartaz, Cristina Félix, de 36 anos, foi uma das fãs que fez com que a intenção do grupo se concretizasse naquela noite. Ao ver a mulher cantando e se emocionando, ninguém sequer imaginava que a família dela se formou em torno de sua paixão pelo Raça Negra e que, naquele sábado, todo mundo estava junto. “Sou fã desde meus 14 anos. Meu marido é fã, meu filho também, todos nós. Pra gente é tudo muito mágico”, contou.

Cristina é fã desde os 14 anos. Foto: Lucas Sarzi.
Cristina é fã desde os 14 anos. Foto: Lucas Sarzi.

Cristina, que estava na primeira mesa, bem na frente do palco, chegou a trocar olhares com Luiz Carlos, que leu o cartaz que ela segurava. “E isso faz tudo valer a pena. Um oizinho que a banda dá pra nós, e a gente sabe que é pra gente, já compensa nosso esforço de fazermos de tudo para irmos aos shows todos os anos”.

Cristina disse que sabe que, hoje em dia, ser fã é algo que sai muito caro, mas tenta manter a mesma rotina que tinha antes, quando era mais jovem. “Eu sou fã mesmo, no sentido da palavra. Todos os dias, pelo menos umas duas vezes, tento entrar nas redes sociais deles. Gosto de acompanhar e me sinto bem em continuar. Nunca consegui encontrar com o Luiz Carlos, por exemplo, para tirar uma foto, mas continuo muito fã”.

Mais novidade?

Atualmente, o grupo trabalha na divulgação do último DVD, Raça Negra e Amigos II, que foi gravado cheio de participações especiais, mas de cantores do meio sertanejo como Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e até Wesley Safadão. À Tribuna do Paraná, Luiz Carlos disse que não descarta a possibilidade de fazer uma versão Amigos III, com artistas diferentes. “É uma ideia que a gente vem trabalhando há cinco anos já. E é uma boa ideia pensarmos numa versão diferente, com convidados que toquem outros estilos musicais. Tem muita gente boa por aí, que daria certo uma participação. Quem sabe, né?”, deixou no ar.

Vídeo

Veja a entrevista completa com o cantor e também algumas cenas do show que agitou a noite na Live Curitiba: