Em 2012, as produções de artes cênicas contribuíram para o PIB com R$ 1,2 bilhão. O valor está longe de ser desprezível – teatro e dança, afinal, não são capazes apenas de consumir recursos, mas de gerar riqueza e empregos. “O potencial para crescimento, porém, ainda é muito maior do que isso. Está subutilizado”, diz Gabriel Pinto, pesquisador da Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio e autor de um mapeamento sobre a indústria criativa no Brasil.

Foi para sanar essa lacuna e discutir possibilidades de crescimento para o setor que a entidade industrial carioca e o Tempo Festival se uniram para lançar o 1º Encontro Artes Cênicas e Negócios, que acontece no Rio, entre os dias 18 e 20. “Ficamos viciados em apenas uma forma de financiamento: os mecanismos de incentivo fiscal e os editais”, constata César Augusto, um dos curadores do festival e integrante da Cia. dos Atores. “É preciso quebrar esse ciclo vicioso. Hoje, um espetáculo da Cia. dos Atores ou da Fernanda Montenegro ou de um grupo recém-formado está disputando o mesmo dinheiro. Tem como isso dar certo? É um esquema claramente falido.”

Entre os debatedores, a programação reúne 21 representantes nacionais e nove internacionais. Nomes como o de Faith Liddell, diretora do Festival de Edimburgo, Marcos André Carvalho, secretário de Economia Criativa do Minc, e Ruperto Merino Solis, diretor de programação cultural da Secretaria de Cultura de Madri. Além das mesas de discussão, parte importante da proposta é mostrar práticas diferentes de negócios. Haverá uma reunião com potenciais compradores de espetáculos e também uma rodada de pitch sessions – ocasião em que os artistas apresentam, em no máximo dez minutos, as linhas gerais de seus próximos trabalhos e buscam atrair investidores interessados.

Um dos principais gargalos para o crescimento da área de artes cênicas, detectou o mapeamento de indústria criativa, é justamente a pequena taxa de internacionalização. “Essa é uma defasagem do Brasil em vários setores criativos, mas os números são ínfimos quando se fala de artes cênicas. A exportação é quase nula”, observa o pesquisador da Firjan.

Se a renda gerada pelas bilheterias deixou de ser uma forma de sustentar as criações e os mecanismos de financiamento público não dão conta da demanda, quais são os caminhos possíveis? “Existem outras formas que ainda não foram exploradas”, acredita César Augusto. “Não tenho as respostas, mas precisamos pensar juntos. Criar redes é um meio de fazer com que trabalhos e ideias sejam irradiados.”

Ainda que não aponte fórmulas para incrementar o crescimento das artes cênicas, o mapeamento de indústria criativa sinaliza alguns dos problemas que mereceriam uma intervenção. Um deles é o alto grau de informalidade. Ao contrário de outros setores criativos, como a indústria editorial ou a cinematográfica, as artes cênicas se distinguem por possuir um número de empresas maior do que o de empregados. Enquanto as empresas somam 18 mil, o total de empregados é de 13 mil. Diferença que é explicada pelo fato dos profissionais possuírem empresas próprias, e não vínculos empregatícios. “Uma formalização maior depende de uma mudança dos marcos legais. Não é possível que contratar um ator por 4 meses ou ter um empregado em uma fábrica por 20 anos envolva a mesma burocracia”, defende Gabriel Pinto.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.