Luiza Dantas
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Giane Carvalho, a Globeleza: ?Usei o que tenho de mais forte?.

Giane Carvalho entrou no concurso para a nova Globeleza sem maiores pretensões. Ela não acreditava que seria selecionada por considerar as outras candidatas bem mais bonitas. Mas foi um típico caso de quem não reconhece o próprio valor. Tanto que, para seguir em frente, precisou de um "empurrãozinho" da irmã Ketone. "Pensei: ?vou tentar, mas meio que obrigada?. Não esperava vencer", afirma.

Mas quando o assunto é samba no pé, esta niteroiense de 23 anos esbanja autoconfiança. Afinal, ela freqüenta escolas de samba desde criança e diz, sem falsa modéstia, que o gingado corre pelas suas veias. Para ela, foi justamente sua facilidade de dançar que lhe rendeu o posto de Globeleza. "Usei o que tenho de mais forte. Quando era minha vez de dançar, resgatava toda minha experiência nessa área", lembra Giane, que começou a carreira há sete anos no Copacabana Beat, de Niterói.

Voz do povo

O que deixou Giane empolgada foi o fato de ter sido eleita por votação popular. Ela acredita que não existia melhor maneira de substituir Valéria Valenssa, pois assim fica mais fácil conquistar o carinho do público. Embora confiante, a mulata reconhece também que a tarefa não é tão simples. "Minha responsabilidade aumenta porque a Valéria representou muito bem esse título. Vim depois do Pelé", exagera. Com 1,68m de altura e 55 quilos, a nova Globeleza se orgulha de ter vencido as outras concorrentes por ter preenchido todos os quesitos necessários do concurso. Isto porque uma das regras era justamente que as candidatas não possuíssem silicone, marcas de machucados no corpo e nem atributos físicos conquistados através da cirurgia plástica. "Tenho consciência de que ninguém é perfeito, só Deus. Além do que eu não era a mais bonita. Mas é óbvio que isso levanta meu ego", gaba-se.

Para fazer jus ao reinado, Giane teve de mudar alguns hábitos. Atualmente, sua alimentação está bem mais disciplinada, à base de muita salada, carne branca e comida integral. Seu segredo para manter o corpo em forma é não ter contato visual com as guloseimas "engordativas". "Se eu não ver sorvete e chocolate, não sinto vontade de comer. Até porque morro de preguiça de sair para comprar", conta, aos risos. A musa reclama que o esforço é grande, mas que ainda assim está valendo a pena. "Represento a beleza da mulher negra e brasileira. É mais do que um sonho. Por isso, tenho que fazer bonito", justifica.

Cansaço e timidez

A missão mais complicada de Giane até agora foi gravar a vinheta de Carnaval. A mulata enfrentou um trabalho ininterrupto de 26 horas – entre maquiagem, penteado, pintura no corpo e gravação. Ingênua ao extremo, não entendia porque as pessoas perguntavam, antes da maratona, se estava preparada. No meio do processo, quando o desespero bateu, ela entendeu o sentido daquele questionamento. Além disso, ainda teve de lutar contra a timidez. "Utilizei apenas um tapa-sexo. A produção é enorme, dois pintores e um maquiador. Fora que entrava um monte de gente para fazer making of e fotos. Acostumei mesmo só no final", ressalta.

Embora seu reinado dure apenas um ano, Giane já faz planos para o futuro. Ela acredita que o posto de Globeleza vai abrir outras portas. "É o meu momento. Vou mostrar meu trabalho para o Brasil e conquistar muitas coisas", torce. Outro ponto positivo é que, para ela, representar o Carnaval nem parece trabalho e, sim, diversão.

Mesmo com agenda cheia de compromissos, a mulata enche a boca para dizer que nessa época fica em estado de felicidade. Mas nem tudo é só diversão. Neste ano, a dançarina vai ter de controlar sua paixão pela Viradouro – escola de samba de Niterói. "Não posso desfilar porque teria de estar em todos os outros lugares também. Esse é um acordo que fiz com a Globo", explica a regra que, inclusive, não valia para a ex-Globeleza, que mostrava sua exuberância todos anos, exclusivamente, na Caprichosos de Pilares.