O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado expõe até 31 de julho, em Champigny-sur-Marne (leste de Paris), 40 fotos de grandes proporções de sua obra O Homem e a Água, que evoca com força e sensibilidade a relação das populações do planeta com um recurso tão precioso quanto ameaçado.

França – ?Quando me propuseram este tema, primeiro respondi que nunca tinha feito um trabalho sobre a água?, contou o fotógrafo, conhecido por seus documentários sobre a vida dos homens em todo o mundo.

Depois, começou a rebuscar em seus arquivos de milhares de fotografias, acumuladas em mais de 30 anos, e descobriu o tema: ?uma história dos homens que dependem da água para sua sobrevivência, ao invés de uma história conceitual sobre o elemento aquático?.

Das comunidades ribeirinhas do Amazonas aos desertos africanos, passando pelas megalópoles asiáticas, Sebastião Salgado mostra, em preto e branco, o destino de homens e mulheres que vivem e sofrem por causa da água, que se deslocam ou são deslocados em busca deste elemento onipresente, que corre torrencialmente em alguns lugares, ou brilha por sua ausência em outros.

Para esta exposição, o fotógrafo selecionou cerca de 40 fotos, tiradas entre 1980 e 2003, expostas a céu aberto ao longo da rua Victor Hugo, em Champigny-sur-Marne.

Em alguma parte do coração do Estado do Amazonas, em 1998, a presença de um cão e a mistura da roupa tradicional com a urbana demonstra o impacto do mundo moderno na vida dos índios Marubo, povo nômade que em 20 anos passou de sete mil a 850 indivíduos. Treze anos antes, em um campo de refugiados etíopes no Sudão, crianças sorridentes procedentes da árida região do Tigré ouvem, fascinadas, a água correr em uma simples tubulação. As fotos da exposição e muitas outras estão reunidas em uma obra, publicada pela editora Terre Bleue, acompanhadas por textos de Christian Sorg e do próprio Salgado.

Aos 61 anos, o fotógrafo brasileiro trabalha há dois anos em um projeto pessoal, intitulado Gênesis, apoiado pela Unesco, que consiste de uma série de reportagens sobre os últimos lugares virgens do planeta. ?Passei anos mostrando a dignidade do ser humano. Agora quero mostrar a da natureza?, explicou.