Com a segunda parte de ‘Che’, de Steven Soderbergh, começa hoje à noite o 19º Cine Ceará, o tradicional festival de Fortaleza. O épico de Soderbergh, que narra o segundo e fatal capítulo da biografia de Guevara – a guerrilha e a morte na Bolívia – entra em cartaz nas salas comerciais apenas no dia 18 de setembro. A prioridade dada ao Cine Ceará é explicável: o festival, este ano, programou uma retrospectiva de filmes relacionados a Che Guevara.

Amanhã começa a mostra competitiva, de caráter ibero-americano. A predominância é de filmes brasileiros. Nada menos de quatro nacionais, entre oito concorrentes, estarão disputando os troféus Mucuripe, distribuídos pelo festival: ‘Pequeno Burguês – Filosofia de Vida’, de Edu Mansur, ‘Se Nada Mais Der Certo’, de Eduardo Belmonte, ‘À Deriva’, de Heitor Dhalia, e ‘O Homem Que Engarrafava Nuvens’, de Lírio Ferreira. Competem com eles o argentino ‘Haroldo Conti – Homo Viator’, de Miguel Mato; o mexicano ‘Coração do Tempo’, de Alberto Cortés; o cubano ‘Os Deuses Quebrados’, de Ernesto Darana, e o peruano ‘O Prêmio’, de Alberto Chicho Durante. Além dos longas, 15 curtas-metragens disputam os troféus do festival cearense.

A relação de longas nacionais mostra a dificuldade por que passam os festivais brasileiros na seleção de seus filmes: dos quatro, apenas ‘Pequeno Burguês – Filosofia de Vida’, um documentário sobre Martinho da Vila, pode ser considerado 100% inédito. Os demais, de uma forma ou de outra, já participaram de outros eventos do gênero. Há, inclusive, um vencedor de festival, ‘Se Nada Mais Der Certo’, que ganhou a Première do Rio no ano passado. O Cine Ceará tem encontrado no formato ibero-americano a maneira de driblar essa carência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.