tv31.jpgGabriela Duarte, ao contrário de alguns atores, mostra-se avessa aos discursos carregados de clichês e arroubos egocêntricos. Ao falar do atual trabalho e de suas personagens ao longo da carreira, a atriz demonstra boa dose de serenidade. A cada pergunta, ela faz uma pequena pausa e reflete por alguns segundos. Em seguida, de maneira tranqüila, responde sem firulas. Concentrada e medindo cada palavra, Gabriela não disfarça o prazer de voltar à telinha e interpretar a Simone de América. A atriz, porém, gosta de ressaltar que sua carreira é marcada por períodos de necessário afastamento e prefere não emendar um trabalho no outro. O motivo, segundo ela, não é a superexposição, mas a necessidade de sentir falta da rotina corrida das gravações. ?Tem sido uma praxe. Acho que todo ator precisa se reinventar a cada trabalho?, filosofa.

Desde 2003, quando fez uma pequena participação de quatro capítulos em Kubanacan, a atriz não aparecia na tevê. E por isso não precisou pensar duas vezes antes de aceitar o convite de Glória Perez para interpretar a Simone. Ela garante que uma das principais motivações para fazer o papel da veterinária foi o fato de nunca ter trabalhado numa trama da autora. ?O que mais me encanta na tevê é essa possibilidade de decodificar e entrar no universo dos mais variados autores?, destaca. Gabriela acrescenta também que, além da preocupação com algumas questões sociais da autora, outro ponto importante para a volta à tevê foi saber que viveria uma veterinária. Isso porque a atriz é uma confessa admiradora da profissão e sempre teve uma curiosidade natural pelo ofício. ?Passei minha infância e adolescência, nos períodos de férias escolares, em fazendas. E isso ajudou até mesmo a dar os contornos mais realistas à personagem?, assegura.

 Empolgada com os atuais rumos do romance entre Simone e Tião, vivido por Murilo Benício, Gabriela não sabe qual será o futuro da personagem. Mesmo assim, não se importa muito e nem costuma fazer especulações. Pelo contrário. A atriz revela que gosta das surpresas que vão aparecendo ao longo da trama. Para Gabriela, as reviravoltas pelas quais passou e passará Simone servem de estímulo. ?Essa aura de mistério é o que torna o nosso trabalho ainda mais interessante?, acredita. Apesar da indefinição, a atriz ressalta que os telespectadores têm dado sinais favoráveis ao casamento e ao amor entre os dois, torcendo pela veterinária. ?E eu, como todo ator, é claro, defendo minha personagem. E espero que ela seja feliz?, comenta, entre risos.

Altos e baixos

Aos 31 anos de idade e contente com a repercussão, Gabriela passou por momentos delicados e oscilantes nos 16 anos de carreira. Mas manteve os pés no chão. Em 1997, ao interpretar Maria Eduarda em Por Amor, a atriz recebeu pesadas críticas. Já na primeira fase da minissérie Chiquinha Gonzaga, de 1999, onde viveu a personagem-título, e em Esperança, de 2002, como a prostituta Justine, ?colheu? muitos elogios. ?É a essência da profissão e aprendi a conviver com isso. Aliás, faço terapia há muitos anos?, brinca. Mesmo com personagens marcantes, Gabriela não gosta de se acomodar. A atriz não esconde que gostaria mesmo é de trabalhar numa comédia, já que teve apenas um pequeno contato com o universo cômico, em Kubanacan. ?Ficou um gostinho de quero mais?, entrega.

 Sensação semelhante, a atriz tem pelo cinema e o teatro. Na telona, Gabriela fez apenas quatro filmes. A última participação foi em O Vestido, de Paulo Thiago, em 2003, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, Espanha, na ?pele? de Bárbara. ?É minha obsessão voltar fazer outros filmes?, avisa. Já no teatro, ela conta que ainda falta encenar um clássico. Gabriela também pretende atuar como assistente de direção, embora não tenha pretensão de, no momento, dirigir um espetáculo. ?Acho que é o caminho natural do ator?, pensa.

Uma brincadeira muito séria

Gabriela Duarte não poderia mesmo ter escolhido outra profissão. A atriz lembra que nas peças encenadas pela mãe, Regina Duarte, chegava a assistir, além dos ensaios, mais de 80 apresentações. ?Nos dias das sessões duplas, marcava presença nas duas. Não trocaria nenhuma brincadeira pelo contato com o universo dos espetáculos?, assegura. Não por acaso, Gabriela encenou sua primeira peça aos 8 anos, numa apresentação escolar de Alice no País das Maravilhas. A estréia profissional, contudo, foi no infantil Bibi, Uma História de Circo, aos 15 anos. Apesar de não estar fazendo teatro, Gabriela já está escalada para fazer A Serpente, de Nelson Rodrigues, assim que acabar de gravar a novela. ?A peça estréia no Rio, mas quando for para São Paulo, assumo meu lugar?, adianta.

 Foi com 8 anos também que a atriz fez sua primeira participação no cinema. Gabriela integrou o elenco infantil de O Cangaceiro Trapalhão, de 1982, e, logo depois,  esteve em O Trapalhão na Arca de Noé, de 1984. ?Foi uma grande brincadeira, uma maneira de ter o primeiro contato direto com o cinema?, conta. Nova participação na telona, porém, demorou bastante e Gabriela somente voltou a atuar em cinema em 1998, quando rodou Oriundi, de Ricardo Bravo, em que contracenou com o ator americano Anthony Quinn. Já em 2003, participou de O Vestido, de Paulo Thiago. ?Quero voltar ao cinema em breve. E espero convites…?, pede.