Que o Brasil tem grandes diretores de fotografia, alguns dos maiores do mundo, não é segredo para ninguém. Basta lembrar da câmera na mão de Dib Lutfi, no alvorecer do Cinema Novo, ou da luz crua de Luiz Carlos Barreto e Waldemar Lima, em obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos. A imagem do cinema brasileiro sempre foi esplendorosa, mas houve um tempo em que o público reclamava do som. Produtores e diretores retrucavam que o problema, na maioria das vezes, era das salas, mal aparelhadas, o que o público não percebia ao ver o filme estrangeiro porque estava ligado nas legendas.

A Semana ABC, que começa nesta quarta-feira (8) na Sala Cinemateca, promove até sábado (11) debates que não se destinam exclusivamente a profissionais. São temas como os desafios e as perspectivas do digital – a própria digitalização do parque exibidor nacional -, além do que representa a incorporação de técnicas (e profissionais) de cinema às novelas e séries de TV. Tudo isso é muito fascinante, mas há uma mesa que se antecipa como particularmente interessante. Ela vai discutir a evolução do pensamento sonoro no cinema brasileiro, com a participação de Kleber Mendonça Filho, diretor de O Som ao Redor, que a crítica, quase unanimemente, considera o grande filme nacional da atualidade.

Fundada em 2000, a Associação Brasileira de Cinematografia, ABC, reúne profissionais do audiovisual brasileiro, especialmente diretores de fotografia. Hoje são mais de 300 associados e uma série de atividades realizadas, entre elas a Semana ABC, o Prêmio ABC e o Informe ABC, boletim eletrônico enviado a cerca de duas mil pessoas. Tudo isso para incentivar a troca de ideias e informações visando o aperfeiçoamento técnico e artístico do audiovisual no País.

Toda a programação do evento será disponibilizada ao vivo, em streaming, no site www.abcine.org.br.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.