“Cara, vou por uma roupa bacana, pegar minha caranga para encontrar aquela certinha. Ela é uma brasa, mora! Vamos dar uma esticada e depois vou falar para ela vir quente que eu já estou fervendo!”. Entendeu? Não?

Então você possivelmente não viveu ou nunca ouviu falar da Jovem Guarda, importante movimento musical no Brasil na década de 60 que misturava música, comportamento e moda. Mesmo no século XXI, existem muitas pessoas que não deixam esse período morrer.

Para celebrar essa longevidade, Curitiba vai receber na próxima semana, dia 2, no Teatro Positivo, a Noite da Jovem Guarda, que vai contar com três dos principais representantes do gênero: Jerry Adriani, Renato e seus Blue Caps e Os Incríveis. O evento é inédito na capital paranaense.

O show promete relembrar os bons tempos desse período. Portanto, nada de “pés de chinelo”, gente na “fossa” ou “quadrada”. O “papo é firme” e os músicos prometem uma apresentação bem “pra frente”, como afirma Jerry Adriani.

“Quem tem essa paixão pela Jovem Guarda certamente vai gostar do show. Vai ser um encontro legal e todos nós vamos nos esforçar para dar ao público curitibano uma apresentação vibrante e animada, que vai ficar na memória de todos”, diz Adriani, cujo nome real é Jair Alves de Souza.

Para ele, Curitiba é uma cidade excelente para se apresentar, pois as pessoas sempre demonstraram carinho e a fidelidade com a Jovem Guarda. “É sempre muito bom voltar a tocar em Curitiba”, afirma.

Com quase 50 anos de carreira, Adriani comenta que o público da Jovem Guarda tem se renovado constantemente e isso vem garantindo essa longa vida do estilo.

“Não é fácil sobreviver por tanto tempo. Mas é recompensador ver em shows do pessoal da Jovem Guarda que é uma coisa que vem passando de pai para filho. Já presenciei muitas vezes pai e filho assistindo ao mesmo show. Isso é algo fabuloso. Portanto, essa apresentação vai ser interessante porque é uma boa oportunidade ver artistas que marcaram uma geração toda e estão na ativa até hoje”, comemora.

Mais do que um simples gênero musical, a Jovem Guarda influenciou e influencia músicos até hoje, conforme explica Adriani. “O que existe no cenário musical dos dias atuais é uma consequência do que houve no passado. A Jovem Guarda é uma fonte em que diversos estilos beberam, como a Tropicália, o rock dos anos 80, a música sertaneja, entre tantas outras. É comum ver bandas de hoje tocando nossas músicas. Por aí, percebe-se como a Jovem Guarda revolucionou a música brasileira”.

O segredo dessa longevidade toda para Adriani é a busca incessante pela evolução. Para ele, o músico não pode ficar parado no tempo. “Felizmente, desenvolvi atividades que somaram ao meu trabalho no decorrer dos anos. Pude trabalhar com pessoas ótimas, como Raul Seixas, que me sugeriu para que eu fizesse um trabalho calcado no Elvis Presley, coisa que só fiz no ano do seu falecimento, em 1989. Recentemente gravei um disco com músicas do Legião Urbana cantadas em italiano, que foi um sucesso junto ao público jovem. Então estou nessa constante busca para ficar atento ao que ocorre para poder desenvolver meu trabalho”, avalia.

Para Adriani, poder dividir novamente os palcos com esse pessoal é um motivo excelente para se celebrar. “Tocar junto com o Renato e seus Blue Caps e com os Incríveis é fantástico. Mesmo tendo que apresentar um repertório mais enxuto, é uma grande felicidade estar ao lado deles. Existe um vínculo, uma amizade, uma irmandade muito forte conosco. Estou certo que todos, incluindo a gente, vai se divertir bastante com esse show”, garante.