Aclamado como o novo E o vento levou…, o longa Austrália chega às telas de Curitiba amanhã com o desafio de emplacar nas bilheterias, o que não conseguiu fazer em outros lugares por onde o filme já estreou, como nos Estados Unidos. Por lá e também no Canadá, a arrecadação foi considerada um fiasco, com pouco mais de US$ 44 milhões em cinco fins de semana do filme em cartaz.

Anunciado como um ambicioso projeto, inclusive para incrementar o turismo naquele país, Austrália parece não ter agradado nem à protagonista, Nicole Kidman, ganhadora do Oscar de melhor atriz (por As horas). Pelo menos no que diz respeito a sua própria atuação.

Em entrevista a veículos de comunicação australianos, a atriz afirmou que se sentiu incomodada ao se ver na produção épica, que teve custo aproximado de mais de US$ 130 milhões.

Comentários em blogs e sites da internet especializados em cinema, por outro lado, mostram que muitos aficionados por cinema aprovaram a produção. Austrália tem no seu eixo principal artistas daquele país. Além de Kidman, seu par romântico é Hugh Jackman (o Wolverine da trilogia X-Men) e, o diretor, Baz Luhrmann, com quem Kidman trabalhou em Moulin Rouge.

Nas duas horas e 45 minutos de duração, o filme retrata a história de Sarah Ashley, que resolve deixar de lado a vida de luxo que levava na Inglaterra em busca de seu marido em uma remota cidade da Austrália, Darwin. A história se passa pouco antes e no início da Segunda Guerra Mundial.

Após a morte do marido, a aristocrata inglesa se vê obrigada a entrar em uma jornada para transportar bois ao longo do país contando com a ajuda de um rude vaqueiro, Hugh Jackman, para salvar parte de sua propriedade, que está à beira da ruína.

No meio dessa situação, Ashley se depara com o preconceito e as diferenças com que os aborígines australianos são tratados. Filhos de mãe aborígine e pai branco, são desdenhosamente chamados de “café-com-leite”.

As crenças que permeiam essa população são enfatizadas na trama, principalmente pelo pequeno Nullah, aborígine por quem Ashley simpatiza e vai lutar contra todos para protegê-lo.

Nesse ponto, o filme procura reconstituir parte da sociedade segregada da Austrália dos anos 1930s e 1940s, quando o casamento inter-racial era ilegal e os filhos entre brancos e famílias nativas eram proibidos.

Essas crianças ficaram conhecidas como “Gerações perdidas”, época em que o governo australiano lançou um programa nacional por meio do qual as crianças eram retiradas de suas respectivas comunidades nativas e realocadas em missões da igreja ou instituições do estado, na tentativa de “reeducá-las”. O pedido de desculpas oficial do governo australiano para essas gerações só veio poucos anos atrás.