Nascido artisticamente das sombras, de uma cena de música underground de Toronto, no Canadá, Abel Makkonen Tesfaye foi abraçado pelo pop e pelo mainstream, ambientes no qual sua cadência soturna, exibida nas três primeiras mixtapes, foi diluída. Com o nome artístico de The Weeknd, ele lançou o ótimo Beauty Behind the Madness em 2015 e, no ano seguinte, escancarou as cortinas e deixou a luz do sol entrar pela janela com o massivo Starboy (2016). Weeknd também entrou para os tabloides, ao tornar público o relacionamento com a também artista pop Selena Gomes. Findado o romance, contudo, o artista parece ter se voltado à escuridão.

É dessa forma que ele entrega My Dear Melancholy, (sim, a vírgula está inclusa no título do trabalho), um EP de seis canções que voltam a colocar os fantasmas que aterrorizam The Weeknd em primeiro plano, deixando para trás os versos que tratavam da vida de estrela do pop que dominou o último álbum dele – cuja turnê trouxe o canadense ao Brasil, para uma apresentação no Lollapalooza 2017. O EP está disponível nas plataformas digitais.

Se nas três mixtapes do início da carreira, unificadas sob a forma do disco Trilogy (em 2012), The Weeknd era cru, caótico, com graves injetados nas veias das canções sem restrição ou temor pela overdose. A versão musical bad boy de Abel em 2018 ainda encontra seu melhor nesse quarto escuro e solitário, mas soa como se ele tivesse deixado aquele espaço pulguento, apertado e de colchão carcomido e desprovido de lençóis. Seu refúgio para o mergulho às profundezas de um coração despedaçado numa bela mansão em Los Angeles – é uma comparação metafórica, com relação à crueza e voracidade dos primeiros trabalhos, em contrapartida à estética mais cristalina do novo EP, mas também tem relação com os milhões de dólares que agora recheiam a conta bancária dele.

My Dear Melancholy, soa pessoal ao extremo, mesmo que sejam canções de uma persona artística de Abel e não sobre si – embora há quem relacione as canções às namoradas do rapaz, Bella Hadid e Selena Gomez. Ao longo das seis canções, The Weeknd é tragado pela consciência da inevitabilidade do fim das relações humanas e canta um novo mergulho por um abismo pessoal, mental e sentimental.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.