Depois de ficar em cartaz por oito anos, passar por todas as capitais brasileiras e ser assistida por mais de 200 mil espectadores, a peça “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais” ganhou versão para o cinema. Fruto da parceria entre o diretor Domingos Oliveira e o psicanalista Alberto Goldin, o roteiro da comédia – que estreia hoje – é composto de casos reais, como o de uma mulher que descobre que o amante usava remédio para aumentar a potência, um casal que resolve ter outros parceiros, um farmacêutico que seduz a melhor amiga, entre outras histórias. O longa tem no elenco a dupla Pedro Cardoso e Cláudia Abreu.

A narrativa do filme mescla a linguagem teatral com a cinematográfica e, segundo Oliveira, “é uma homenagem do cinema ao teatro”. Alguns longas, como o italiano “A viagem do Capitão Tornado” e o norte-americano “Amadeus”, retrataram outras artes como a ópera e o teatro, respectivamente, por meio da telona. No caso de “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, filmagens da peça são misturadas às cenas em locações, o que lhe confere um certo ar documental. O poder do teatro fica explícito nas tomadas em que os risos do público são captados pelas câmeras.

A atriz Cláudia Abreu, única participante do filme que não chegou a fazer a peça, correu atrás do prejuízo. “Tive de entrar, em pouco tempo, no estado de espírito que os atores conquistaram depois de muitas temporadas”, diz ela. Durante as filmagens, em 2007, sua filha, Felipa, estava com cinco meses de idade. “Eu a levava para trabalhar e amamentava nos intervalos. Mas não pude recusar a proposta do Domingos. Ele me convidou com um buquê de rosas nas mãos”, lembra. A participação pequena ajudou Cláudia a não descuidar das tarefas de mãe.

O ator Pedro Cardoso, que fez a peça durante seis anos, diz que tanto as temporadas nos palcos quanto o próprio filme não foram trabalhos fáceis. “O texto mexeu com o meu pudor. Fiquei embaraçado com alguns trechos. Ao mesmo tempo, não conseguia parar de rir. Daí pensei: ‘Como vou atuar, se não consigo completar frases por causa das risadas?'”, conta. O jeito foi incluir o riso. Nas cenas filmadas durante as apresentações teatrais, o público percebe o ator gargalhando do texto e embarca junto.

Cardoso compôs os personagens de formas diferentes. “O teatro é uma obra aberta, com participação do público. A atuação sofre interferência de acordo com as reações”, diz. “Já nas cenas filmadas, eu interpretava para a camareira, para o cinegrafista, enfim, dialogava com menos gente e o resultado era mais fechado”, completa. Essa diferença, porém, não fica tão patente no filme. Os personagens vividos por Cardoso fazem rir tanto nos palcos quanto nas locações de filmagem. Sem cenas apelativas, com humor escrachado e roteiro bem amarrado, “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais” é uma comédia e tanto. As informações são do Jornal da Tarde.