Eles atravessaram ‘o mar Egeu’, mas também as gerações com músicas que continuam na ponta da língua de muita gente. Se existe no Brasil um grupo de música popular que atinja vários públicos, certamente o nome de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, ou simplesmente Tribalistas, é o que está no topo dessa parada. Neste sábado (25), os curitibanos vão ter a chance única de ver ao vivo o som do grupo que levou muito tempo para sair em turnê, mas nunca saiu da lembrança da música brasileira.

“Se pararmos para pensar, levamos 25 anos (para sairmos em turnê), pois a nossa parceria já existia há, pelo menos, dez anos antes de ser lançado o primeiro álbum”, brincou Marisa em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, destacando que o motivo de não terem seguido em turnê foram os desencontros. “Mais pelas circunstâncias, as agendas individuais, os três sempre muito ocupados”.

Para Arnaldo Antunes, o tempo em que o grupo levou para finalmente pensar numa turnê foi algo importante depois do lançamento do último disco, de 2017, o segundo da carreira. “Agora é a hora em que estamos maduros, tinha que ser no tempo certo. Mas saibam que essa expectativa desse tempo todo não é só do público, é nossa também”. Ouça o trecho da entrevista:

Carlinhos Brown, que disse durante a entrevista que prefere até mesmo ser chamado simplesmente de Carlinhos, por parecer mais íntimo, disse que se sente muito feliz ao perceber que o público do Tribalistas continuou, mas também renovou. “Nós fizemos nosso som de um jeito que nunca fosse prematuro. Quando a gente vê crianças com seus pais, todas as idades, vemos o quanto isso não nos pertence e o quanto isso foi esperado e planejado pelo público. Esse é um grupo que se aproxima e não que sai para a carreira solo. Cada show nosso a gente vê como nós fazemos parte do público, não como artistas”.

Grupo demorou mais de 10 anos para sair em turnê. Foto: Reprodução/Instagram.
Grupo demorou 15 anos para sair em turnê. Foto: Reprodução/Instagram.

A convivência entre os três, que já dura mais de duas décadas, fez com que o Tribalistas se tornasse uma verdadeira família, algo que nem eles sabem definir ao certo. “Somos tão familiares que nossos sobrenomes deixam de existir, todos nós ganhamos uma outra forma de sermos vistos”, disse Carlinhos.

Arnaldo considerou que o público também acabou sendo parte dessa família. “Porque aquele que já gostava vai ao show e leva o filho. Se ele gostava há mais tempo, leva o neto também. É muito lindo de ver”, disse ele, sendo completado por Marisa. “É uma plateia com gente de todas as idades, do vô ao netinho. É muito amor, todos os tipos de casais. Acho que as pessoas se sentem bem, porque tem muito amor e liberdade em nosso público”. Ouça o trecho:

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Música e paz

O período escolhido para a turnê de dez apresentações, que vai percorrer várias cidades do país, não poderia ser melhor. Vivendo num momento difícil, principalmente no quesito de política, Arnaldo Antunes avalia que o que salva nesses momentos é a música. “A arte, a educação, é isso que segura o astral das pessoas. A esperança de um futuro melhor passa tudo por aí e estamos dando nossa contribuição. A gente tá proporcionando uma afetividade geral que é importante para todo mundo”.

Foto: Reprodução/Instagram.
Foto: Reprodução/Instagram.

Além da mensagem artística que o grupo passa, Marisa também avalia que a contribuição para as pessoas é o exemplo de união, de parceria, de liberdade em prol do coletivo. “A gente soma, abre mão das nossas individualidades. Optamos por estarmos juntos pela potência que é a união, o que quer dizer muito nesse momento. O encontro com a plateia é um privilégio para nós, porque sabemos que isso é muito raro. Além disso, estamos também fazendo o nosso ofício com a maior fé, o que é mais patriótico e é o que nós precisamos ter agora”.

Além de trazer esperança e todo o amor que descrevem em suas letras, Carlinhos também avalia que o som que fazem traz consigo um carregamento de informação. “Marisa, por exemplo, quando canta traz uma civilização junto com ela só no seu violão: do cara que prepara a madeira, ao cara que prepara a finalização. É conjunto, é coletivo, a música é espontânea, mas para se materializar precisa de muitos”. Ouça mais estre trecho na íntegra:

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Do velho ao novo

Com trabalhos muito ecléticos e distintos, os três trazem sua essência ao Tribalistas e foi isso que sempre funcionou desde o começo. “Em todos os nossos trabalhos você pode encontrar uma variedade de gêneros, com uma mistura real de sons. Isso é refletido em nosso trabalho, onde se multiplica. O resultado todo acabou tendo um retorno meio imprevisto, porque fizemos tudo de maneira espontânea, sem muita programação”, disse Arnaldo.

Embora não estigmatizem sobre a preferência de suas músicas, o trio foi bem conciso ao citar duas delas, uma de antes e outra de agora: Velha Infância e Diáspora. “Quando a gente vê que a música chegou na alma, no coração das pessoas, e que atravessa o tempo, é uma conquista enorme. Mas não é uma coisa que a gente espera quando está compondo”, explicou Marisa. “Tínhamos a certeza de que estávamos fazendo um disco do encontro de três artistas, mas o que aconteceu e o resultado me assustou, porque fluiu”, completou Carlinhos.

O show do trio da MPB está programado para começar as 21h. Os ingressos ainda estão disponíveis e variam de R$ 100 (meia-entrada) a R$ 600, de acordo com o setor. A venda é pelo site Eventim ou também pode ser comprado na hora, na bilheteria disposta na Pedreira Paulo Leminski.

‘Curitriba’

A vinda do trio a Curitiba significa muito para eles, pois todos possuem lembranças de seus momentos sozinhos em passagens por aqui. Arnaldo, por exemplo, lembrou de sua convivência com Paulo Leminski na cruz do Pilarzinho. Marisa dos shows nos teatros da cidade e também de uma apresentação que fez com Caetano Veloso na Pedreira Paulo Leminski, onde vão se apresentar agora. Carlinhos foi um pouco além e destacou a mobilidade urbana da cidade.

“Estou ansiosa por essa volta agora com meus irmãos e acho que vai ser um show belíssimo para o público de Curitiba que é sempre tão amoroso com a gente. Estamos esperando a tribo dos curitibanos, que vai estar lá junto com a gente para cantar nossas músicas”, disse Marisa. “Nós seremos um grande coletivo pelas ruas de Curitiba, Marisa dirigindo esse coletivo com dois cobradores, eu e Arnaldo, que não cobram nada porque só querem cantar. Vamos cantar porque CURITRIBA (fazendo alusão ao nome do grupo) merece”, fechou Carlinhos. Ouça o recado do trio:

Foto: Leonardo Aversa/Divulgação.
Foto: Leonardo Aversa/Divulgação.