Rio – Tinhoso, Arreganhado, Maldito, Sacripanta. Mafarrico, Bode-Preto, Maligno, Coisa-feia. Cabrobó, Astuto, Mofento, Belzebu. Coisa Ruim, Capeta, Demo, Anjo Caído. Estas são apenas algumas das alcunhas a que frei Betto recorre para falar do dito cujo em Treze contos diabólicos (e um angélico) (Ed. Planeta, R$ 29,90), primeiro livro lançado após sua renúncia do cargo de assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim de 2004. Não esperem, contudo, nenhuma relação entre o poder e o inferno.

Os contos, segundo ele, foram escritos antes de sua passagem pelo governo e levam a reflexões bem mais amplas sobre as mazelas da sociedade. O egoísmo, essencialmente, além da ganância, da maldade e da alienação. Estão todas lá, descritas através de personagens como Felício (barrado no inferno por falta de ?competência e poder), o Solitário (um misantropo que conhece o diabo transmutado em várias pessoas), Magnólia (que começou a ver o demo depois que casou) e Fininha (a mais beata da cidade apesar de seu pacto com o ?coisa ruim?).

Surpreendente para alguns leitores não acostumados à liberdade literária do escritor e frade dominicano pode ser o tema deste que é seu 52.º livro.