Aquele menino sentado na entrada daquele escritório acabou tornando-se uma figura muito conhecida dos vizinhos e passantes. Todos, ou quase todos, se preocupavam com ele… O tempo foi passando e o menino de nome Luiz já era um adolescente quando o português da esquina lembrou de levá-lo para trabalhar na panificadora. Dois dias depois ele estava de volta, sentado no mesmo degrau da mesma loja… Os anos foram escorrendo e Luiz, mais velho, foi encontrado pela cunhada que penalizada, levou-o a morar em sua casa… Mas, ele voltou novamente. Mais alguns anos, ele já adulto, foi requisitado por um pequeno produtor de legumes e verduras, para ajudá-lo na chácara! É, o Luiz não queria mesmo trabalhar e acabou voltando para a mesma situação… Com os anos passando e ele morador de rua, passou a ?cuidar de carros?.

A sujeira defronte ao meu prédio era constante. Era ele, o Luiz, com outros moradores de rua usando a calçada como depósito de lixo. Um lumpem! Palavra que designa uma pessoa na mais baixa escala social.

Sentado, ainda no mesmo degrau, agora com 27 anos, fazia pose fingindo que lia um livro e se recusava a aceitar um ?empreguinho qualquer?… Um dia, uma surpresa: lá estava o Luiz aos abraços e beijos com uma loiraça… Foi um alvoroço na rua, pois todos o conhecem!

Agora, o Luiz passa pra cá e pra lá, carregando compras do supermercado, sempre abraçado com aquela mulher e sempre fazendo pose de grande empresário… Ganhou muitos elogios de um homem idoso, por ter conquistado uma jovem e bonita mulher. Ele é, no conceito daquele velho, um verdadeiro homem!  Mais feliz estou eu: a calçada defronte ao prédio onde moro não é mais depósito de lixo…

Margarita Wasserman – Escritora e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.