Fruto de saudável audácia intelectual, As Palavras no Tempo, de Domenico de Masi e Dunica Pepe (Editora José Olympio, 476 páginas), nasce sob as bênçãos de uma questão genial: o que têm a dizer, os homens de ciências, sobre o que foi pensado, ontem, pelos iluministas? Apesar de seus 250 anos, a Encyclopédie encontra ressonância em nossas dúvidas e esperanças. Assim nasceu o diálogo através dos séculos.

Os organizadores escolheram caminhar através do tempo, com vários colaboradores de peso internacional, e revisitar temas concernentes à humanidade: a natureza e a civilização, o tempo e a história, a vida e a morte, a paixão e a razão, a criança e o adulto, o homem e a mulher, entre outros. Autores como Alain Touraine, Alberto Oliverio, Fulvio Carmagnola (para citar os mais conhecidos) situam, de maneira inovadora, o trabalho da filosofia em relação a uma experiência sempre vinculada aos fatos que marcaram o século: nas artes, nas ciências, na política e na história. Na trilha do diálogo do pensamento para os quais convergem a multiplicidade das temáticas e dos campos de reflexão, caminham. O fio condutor que os encaixa é o significado das palavras, ontem e hoje. Não um movimento aprisionador, mas um reencontro criativo e instigante.

Por isso, As Palavras no Tempo “está longe de ser um mero manual de filosofia. É mais, é muito, e é, sobretudo, um pretexto para pensar. É um livro para que o leitor tenha prazer em pensar. Para que os autores tenham prazer em contar”, escreve a historiadora Mary del Priore. Por fim, mapear o sentimento tão bem expresso no verbete “narrativa”, da Encyclopédie: “Quem quer que conte uma narrativa verá a graça iluminar o olhar de seu intelocutor”.

É essa a graça que, com certeza, tocará o leitor ao desvendar os vinte e seis vocábulos, com inteligência e clareza, penetrar no imaginário inesgotável do saber. da imaginação, da sensibilidade e da descoberta. Trata-se de leitura obrigatória para quem deseja compreender o presente e tem os olhos voltados para a linha do horizonte.