Qual homem nunca sonhou em ser seduzido por Vera Fischer, com uma insistência além do que permite a etiqueta social? Isso ocorre com o inexperiente Benjamin em A Primeira Noite de Um Homem, peça que estréia no dia 9, no Teatro Clara Nunes, no Rio, com direção de Miguel Falabella. A estréia da peça deveria acontecer hoje, mas foi adiada devido a atrasos na confecção do cenário. A história virou clássico do cinema americano dos anos 60, com Anne Bancroft, Dustin Hoffman e Katherine Ross vivendo um triângulo amoroso fora das convenções. Nos palcos, o sucesso voltou nos anos 90, com Kathleen Turner (na Broadway) e Jerry Hall (em Londres) como a amarga Mrs. Robinson.

Para seduzir o rapaz, ela ousa até a nudez, usada pelas atrizes estrangeiras como atrativo para a peça. Vera e Falabella miniminizam. “A cena é tão rápida e tão dentro do contexto que não choca”, adianta ele. “Minha nudez foi tão vista no cinema e nas revistas que não é novidade para ninguém”, completa ela, que ensina o segredo de sua excelente forma física.

Os cinqüentões vão matar a saudade da adolescência e os jovens, entender o porquê de tanta nostalgia. Falabella aposta na atualidade do texto de Terry Johnson, mais cruel que o filme de Mike Nichols (Oscar de melhor direção, em 1967), uma comédia romântica. “É uma história de amor, atemporal. Daquela gente, a única pessoa que sobrou foi a Mrs. Robinson porque o Benjamin (seduzido pela amiga dos pais e apaixonado pela filha dela), então um rebelde, certamente vende plástico hoje em dia”, comenta o diretor.

A versão brasileira de A Primeira Noite de Um Homem ganhou trilha composta por Josimar Carneiro (que fez os arranjos de South American Way, musical sobre Carmem Miranda escrito e dirigido por Falabella). “Eu não possuía os US$ 40 mil (cerca de R$ 120 mil) para pagar os direitos das canções interpretadas por Paul Simon e Art Garfunkel, hoje clássicos”, brinca o diretor.