A Biografia ou Breve Notícia sobre a Vida do muito Humanístico Médico Dr. José Cândido da Silva Murici, de autoria de Cândido M. Lopes, foi publicada no Rio de Janeiro, pela Typographia Escola de Serafim José Alves pouco mais de dois meses após a morte do dr. Murici, que ocorreu em 20 de março de 1879. A edição esgotou-se logo após o lançamento.

Uma reimpressão revisada, com ortografia atualizada, será editada pela Imprensa Oficial do Paraná, em comemoração aos 150 anos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, fundada em 9 de junho de 1852.

Devemos esclarecer sobre a autoria da biografia do dr. Murici. O notável historiador Francisco de Paula Dias Negrão na Genealogia Paranaense refere como seu autor o benemérito cidadão Cândido Martins Lopes, introdutor da imprensa no Paraná. O conselheiro Zacharias Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da Província do Paraná, instalada em 19 de dezembro de 1853, convidou Cândido Lopes, que morava em Niterói, para instalar a primeira tipografia e o primeiro jornal do Paraná. A Typographia Paranaense, de C.M. Lopes, na Rua das Flores, n.º 13, imprimiu, em 1.º de abril de 1854, o primeiro número do jornal O Dezenove de Dezembro.

Entretanto, o tipógrafo Cândido Martins Lopes morreu de um ataque apoplético, em 27 de dezembro de 1871, portanto, bem antes do dr. Murici, em 1879. O verdadeiro autor é o seu homônimo, Cândido Martins Lopes, o nono filho do ilustre tipógrafo, como consta na mesma Genealogia Paranaense. Cândido Martins Lopes, filho, morreu no mesmo ano que o dr. Murici, de tuberculose pulmonar, aos 26 anos de idade, em 15 de setembro de 1879. No jornal O Dezenove de Dezembro, de 16 de outubro, um artigo foi publicado, a pedido, por um anônimo:

“Hoje é o trigésimo dia do passamento de Cândido Martins Lopes!

… e, embora os médicos lhe assegurassem ter obtido a melhora, Cândido não os acreditava, pois sentia que a moléstia caminhava, e muito, a seu termo.

Ainda fez Cândido um esforço! Empreendeu e conseguiu escrever com proficiência a biografia do grande médico, do pai da pobreza, o falecido senhor dr. Murici, cujo nome e imensos serviços ninguém relembrará sem que lhe bata o coração de gratidão e saudade. E foi o derradeiro esforço!…”

Outro admirável trabalho do historiador Francisco Negrão é a Memória da Santa Casa de Misericórdia de Curityba, 1852-1932, publicado em 1933. Ele assim termina: “Não deveria ser apenas uma das enfermarias do hospital que recebesse o nome do dr. Murici; deveria ser o próprio edifício que se deveria denominar: Hospital Doutor Murici da Santa Casa de Curitiba. Essa homenagem, algum dia, merecerá a consagração unânime da irmandade; assim o esperamos, assim será”.

Ao longo dos anos, a atual Praça Rui Barbosa recebeu, sucessivamente, vários nomes: Campo do Olho d’Água, Olho d’Água dos Sapos, Campo da Cruz das Almas, Largo do Muricy (e também, não oficialmente, de Largo do Hospital e Largo da Misericórdia), Praça da República e Praça Rui Barbosa.

Durante a construção do Hospital de Caridade da Santa Casa, a Câmara Municipal deliberou, em 4 de outubro de 1873, dar o nome de Largo do Muricy, por proposta dos vereadores Marçal de Oliveira e Joaquim V. de Almeida Torres, em homenagem ao idealizador e construtor do hospital, dr. José Cândido da Silva Murici. Em 29 de março de 1890, passou a chamar-se Praça da República. É Praça Ruy Barbosa pela Lei 609, de 2 de maio de 1923. Entendemos que, por justiça, o nome deveria ser “Praça Dr. Murici”.

Carlos Ravazzani e Iseu Affonso da Costa

são médicos da Aliança Saúde Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.