Virgínia Cavendish anda cansada de personagens que têm na sensualidade seu ponto forte. O estereótipo da mulher provocante marcou dois de seus trabalhos mais recentes: a fogosa Inaura, de Lisbela e o Prisioneiro, e a sedutora Maria Padilha, participação freqüente em A Grande Família. O estilo insinuante, porém, passa longe da próxima personagem de Virgínia. No seriado Avassaladoras, que será exibido a partir de janeiro na Record e no canal por assinatura Fox, a atriz será Maria Teresa, uma ?workaholic? que sempre deixa a vida afetiva em segundo plano. ?Eu fui convidada inicialmente para fazer a Beth, justamente uma mulher fatal. Mas pedi para fazer um papel diferente?, explica.

O tal pedido para fugir ao estereótipo foi feito para a diretora Mara Mourão, que está à frente do seriado e também dirigiu, em 2002, o longa-metragem homônimo que deu origem à série. Mesmo garantindo que não se assusta com a constante associação com personagens fortes, Virgínia justifica o pedido a um temor de fazer sempre papéis muito parecidos. Como dessa vez ela teve a oportunidade de escolher, não teve dúvida: preferiu uma personagem que lhe permitisse exercitar uma outra faceta de interpretação. ?Ela trabalha muito, é uma pessoa completamente ligada, mas afetivamente é uma criança. É o oposto desses personagens que eu vinha fazendo?, observa.

Além da possibilidade de ter nas mãos um papel diferente de seus últimos trabalhos, vários outros fatores contribuíram para que a atriz aceitasse participar de Avassaladoras. O primeiro deles é o fato de ser um seriado, com exibição semanal. A veia de comédia do roteiro também seduziu a atriz, acostumada a fazer trabalhos de humor. Mas para Virgínia Cavendish, a idéia de trabalhar em uma produção independente, com exibição garantida também em um canal por assinatura para toda a América Latina, é fazer parte de uma mudança que vem se consolidando nas produções brasileiras. ?O mercado está se abrindo e produções independentes são muito importantes para quem trabalha com audiovisual?, vislumbra.

Enquanto aposta nessa abertura a longo prazo, Virgínia tem motivos de sobra para, a curto prazo, acreditar no sucesso de Avassaladoras. A atriz considera que um roteiro que tem como principal argumento as angústias existenciais de quatro amigas na faixa dos 30 anos de idade tem assunto de sobra para tratar. Principalmente, é claro, quando a abordagem tem pitadas de humor e de sarcasmo sem abrir mão da sensibilidade. Nesse sentido, as comparações com o seriado americano ?Sex and the City? são inevitáveis. ?São quatro amigas na faixa dos 30 anos querendo conhecer alguém especial e ter filhos. Há um paralelo, mas com um tempero brasileiro?, distingüe.

No seriado, Virgínia terá como companheiras de elenco as tais amigas balzaquianas Giselle Itié, Vanessa Lóes e Débora Lamm. A preparação para as gravações incluíram um workshop que, durante cerca de três semanas, reuniu o elenco para leituras e discussões. Para que as atrizes ficassem mais entrosadas, como são as personagens, a produção do seriado promoveu uma ?surpresinha? nada desagradável para o quarteto. ?Nós ficamos três dias em Búzios, só nós quatro, para nos conhecermos. Afinal, elas são as melhores amigas umas das outras?, justifica. Apesar de já ter interpretado várias mulheres com personalidade, Virgínia chegou a se surpreender com o convite para viver uma das ?avassaladoras?. ?Não sou assim no sentido clássico, mas sou uma mulher que produz, que corre atrás de seus projetos, que peita mesmo as coisas e expõe suas idéias?, garante.