Entre uma crônica e outra publicada pelo escritor paranaense Wilson Bueno em O Estado, foi construído o livro intitulado A copista de Kafka, lançado no ano passado pela editora Planeta. A publicação foi indicada, nesta semana, aos cinco finalistas para o recém-criado prêmio São Paulo de Melhor Livro do Ano de 2007. A divulgação do vencedor está prevista para o dia 24 de novembro.

De acordo com o autor, A copista de Kafka é um romance diário-epistolar, onde toda a história é construída a partir de depoimentos existentes nos diários de Felice Bauer, que continham histórias reescritas por ela mandadas de Berlim, na Alemanha por Franz Kafka. “Felice Bauer sempre foi a noiva de Kafka, eles se correspondiam apenas por cartas, chegaram a se encontrar apenas duas vezes. Tudo que ele escrevia, era reescrito por ela em seu diário”, conta o autor.
Porém, em seu leito de morte, aos 41 anos, Kafka pediu ao seu amigo Max Brod, que tudo que ele havia escrito em toda sua vida fosse queimado, inclusive o que estava com Felice. “Seu grande amigo se recusou a destruir todo o material que tinha em mãos, no entanto, Felice, por conta do amor que sentia por Kafka, atendeu ao pedido e incinerou tudo. Por isso, toda a história vai sendo narrada pelo próprio Kafka através das histórias do diário”, explica.

Para construção do livro, Bueno também contou com ajuda de amigos de todas as partes do mundo, que lhe enviavam seus materiais que diziam respeito à Kafka.

Premiação

Até o final de novembro, três escritores brasileiros, um estreante e dois já consagrados serão escolhidos pelo júri formado por Ivana Arruda Leite, Márcia Elisa Garcia de Grandi, Márcia Tiburi, Paula Fábrio, Evandro Affonso Ferreira, Horácio Costa, Michel Sleiman, Cláudio Daniel, Julio Pimentel Pinto Filho e Marcelino Freire. Cada um dos três vencedores irá ganhar um prêmio no valor de R$ 200 mil, o maior de literatura do Brasil.

“Já me considero um vencedor por estar entre os cinco escolhidos para o prêmio de autor consagrado. Além disso, tenho uma indicação escrita no livro pelo mais importante intelectual da área, Boris Schnaiderman. Por isso, já considero essa indicação como um grande prêmio”, destaca Bueno.

Além de A copista de kafka, de Wilson Bueno, estão concorrendo pelo prêmio Antonio, de Beatriz Bracher, O Sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho, O filho eterno, de Cristóvão Tezza e A muralha de Adriano, do autor Menalton Braff.

Wilson Bueno já escreveu 17 livros, com eles ganhou diversos prêmios como o Jabuti e Portugal Telecom e atualmente, mantém uma coluna aos domingos em O Estado.