Resultado: lá se foi uma parceria política de vinte anos e uma amizade de mais de trinta. Rasgaram-se cartas e fotografias e devolveram-se jóias e presentes. JL continuou apoiando a candidatura tucana e Rafael decidiu marchar sozinho. Não sem antes cunhar para a imprensa algumas frases lapidares, como “meu primeiro voto na convenção será do governador Jaime Lerner”. Ou “os votos do governador e de dona Fani serão um sinal de agradecimento ao apoio que dedico desde os meus 17 anos ao Jaime Lerner”. Ou ainda: “Receber o voto do Cássio (Taniguchi) será a prova de que o caráter existe. Será o reconhecimento pelo apoio que dei a ele nas duas últimas eleições”.

A convenção do PFL paranaense aconteceu no dia de ontem, sábado, e como estou escrevendo estas maltraçadas na sexta-feira, não sei quem foi o ungido, isto é, quem terá a dificílima tarefa de tentar levar o partido à vitória. Tudo faz crer que não tenha sido o autor das frases reproduzidas no parágrafo anterior. E isso terá sido uma pena. O nosso esférico Rafael não pode ficar fora do certame, pois fará uma falta danada no circo que está sendo armado para a próxima temporada eleitoral. Sem ele, o espetáculo perderá muito do humor, tornar-se-á maçante e repetitivo e será aquela agonia de sempre.

Rafael Waldomiro tem lá os seus defeitos, ainda não explicou bem a sua participação naquele episódio dos bingos, mas é, sem dúvida, a única figura engraçada na política paranaense, cada vez mais sem graça – como, aliás, já havia sido no triste ministério efeagaciano. Os caciques pefelistas acham-no excessivamente irrequieto e inconveniente, para dizer o mínimo. Mas não têm como negar a consagradora votação recebida por ele na eleição para a Câmara Federal. Na verdade, eles têm é receio de perder o controle sobre o moço, quase sempre imprevisível e capaz de esculpir frases tanto da mais fina ironia quanto do mais puro constrangi- mento.

Outro dia, Rafael foi ao programa radiofônico do Ricardo Chab e não se fez de rogado. Assumiu a paternidade da campanha dos 12 dias, que deu o terceiro mandado de prefeito para Jaime Lerner, em 1988:

– Eu ganhei aquela eleição para o Jaime, fui eu quem inventou aquela eleição.

É bem provável que tenha sido mesmo, porque festejo e agitação é com ele. Ainda que, às vezes, a festa acabe de forma melancólica, como nos festejos dos quinhentos anos do Brasil, nos idos de 2000.

Conheço Rafael apenas de vista, ele nunca precisou do meu voto para se eleger e, muito provavelmente, eu não votaria nele nas próximas eleições, mas gostaria muito de vê-lo entre os candidatos ao Palácio Iguaçu. Ele, com certeza, seria a alegria da festa. Como foi na Câmara Municipal de Curitiba, na Assembléia Legislativa, na Prefeitura de Curitiba e no Ministério do Esporte e Turismo.

Ademais, ele é o próprio Joãozinho, o obstinado, daquela velha anedota meio marota. É melhor dar-lhe logo, pessoal!

Célio Heitor Guimarães

é um pobre eleitor em busca de alegria.