No prazo de dois anos, a China deverá aumentar em 10 milhões de toneladas a importação de soja em grão, para suprir a demanda de sua planta industrial de esmagamento. A informação foi recebida com euforia por produtores brasileiros, que no exercício atual alimentam a expectativa de embarcar cerca de dois milhões de toneladas da oleaginosa para aquele mercado.

Realizando operações no Brasil desde 1993, como informou o jornal Valor Econômico na última sexta-feira, a China National Textiles Import and Export Corporation (Chinatex) está, de fato, decidida a aumentar suas compras de soja em grão produzida no País. Conforme a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), referente ao mês corrente, a safra de soja deverá chegar a 56,316 milhões de toneladas, favorecida pela melhoria das cotações de commodities agrícolas e aumento médio de 9% na produtividade das lavouras.

A China gasta atualmente oito milhões de toneladas de óleo na alimentação, mas dentro de dois anos a demanda será de 10 milhões. Nesse sentido, o Brasil será beneficiado, tendo em vista que não haverá estoques mundiais suficientes para atender a necessidade chinesa. Aí entra o Brasil, com o papel fundamental de supridor, segundo declarações de Liones Severo, diretor-geral da Chinatex.

Hoje a China importa 1,65 milhão de toneladas de óleo comestível e 32 milhões de toneladas de grãos. A tendência já estratificada, segundo o executivo da Chinatex, é que o volume de soja em grão cresça 10 milhões de toneladas em dois anos, um salto deveras apreciável, abrindo extraordinária oportunidade para a produção brasileira. Metade da matéria-prima utilizada pelo grupo chinês em suas esmagadoras é originária do Brasil. A outra metade é comprada na Argentina e nos Estados Unidos.

Severo deu outra informação confortadora: os chineses preferem a soja brasileira por seus maiores teores de proteína e óleo em relação ao produto argentino. No ano passado, 43% das 24,957 milhões de toneladas da soja brasileira negociada no exterior, tiveram a China como destino. Mercado altamente atrativo para o agronegócio, tendo em vista o aquecimento da demanda por trigo e milho nos próximos anos.