É comum filhos repetirem os defeitos dos pais, falando ou fazendo exatamente o que mais neles criticavam. A causa desse comportamento contraditório está no que chamo de a corrente da rejeição.

Nos primeiros anos de vida, é natural que os filhos imitem os pais. Porém pais com baixa auto-estima tendem a rejeitar inconscientemente a cria porque vêem nela um auto-retrato. Se não se aceitam como são, como podem aceitar um filho que se pareça com eles?

Na adolescência surgem duas vias para o filho: a primeira é a da passividade, com o filho se tornando uma pálida imitação dos pais (ou de outro modelo que os substitua); e a segunda, a da rebeldia, onde terão lugar condutas totalmente opostas à dos pais. Tanto uma atitude quanto outra revelam a mesma necessidade obsessiva de buscar a aprovação do pai (ou mãe) que promoveu a rejeição.

Na medida em que os anos da juventude forem indo embora, o filho acabará por repetir o comportamento dos pais, inclusive na criação dos seus próprios filhos. Sua referência fundamental continuará sendo justamente aquela que lhe causou tanto sofrimento.

Como não se conseguiu criar um novo padrão comportamental, repete-se o mesmo, que já é conhecido. Adota-se essa solução simplista de negação por ser muito doloroso exumar velhos sentimentos, reabrir feridas malcuradas.

Desse modo, essa corrente passa de geração para geração, como uma maldição familiar, até que alguém tenha força, coragem e consciência suficientes para quebrar o seu malévolo encanto.

 Djalma Filho é advogado

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