Os defensores das pesquisas com células-tronco festejam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5.º da Lei de Biossegurança. Com isso, continuarão sendo permitidas sem restrições as pesquisas científicas com as células-tronco embrionárias. É uma vitória da ciência. Vivemos em uma época em que a evolução médica é evidente e os avanços científicos permitem projetar a cura para doenças de alta complexidade para as próximas décadas. E todos os estudos envolvem as células-tronco embrionárias àquelas, claro, produzidas por fertilização in vitro, congeladas há mais de três anos e liberadas com o consentimento dos doadores de gametas. Quer dizer, são células que não gerarão mais vida, e sim teriam que ser simplesmente descartadas.

Com a autorização das pesquisas, podemos continuar evoluindo nos estudos destas células, que podem ser armas fundamentais na recuperação do mal de Alzheimer e do mal de Parkinson, por exemplo. Milhões de pessoas não só no Brasil poderão ser beneficiadas com os possíveis avanços.

A resistência de diversos setores da sociedade, a maioria deles ligado à Igreja, não pode ser descartada. Mas estes, que geraram a ação judicial, precisam concordar com dois fatores: primeiro, a inviabilidade de geração do zigoto; segundo, a importância histórica da decisão não só para nós, mas para nossos filhos e netos.

Mas, acima de qualquer resultado, o que ficou patente na discussão foi a vitória do diálogo. Um tema de alta importância teve uma avaliação no mesmo nível, com a presença de juristas consagrados e com a seriedade que merecia no Supremo. É um triunfo democrático, pois a sociedade apelou para sua instância jurídica mais importante para decidir sobre um assunto que afeta a todos. E o resultado será respeitado por todos. No país onde as discussões são cada vez mais rasteiras, acompanhar julgamentos deste porte é um sopro de liberdade e justiça.