Quando o Brasil reclama dos subsídios agrícolas concedidos pelo governo norte-americano a seus produtores rurais e, em conseqüência, do peso excessivo que essa política significa para a atividade rural nos países em desenvolvimento, o faz com inteira razão.

Não foram poucas vezes que o governo da maior nação da Terra, em termos de subsídios agrícolas, extrapolou as regras estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) na tentativa de disciplinar o comércio internacional, quase sempre sob o fogo cerrado das potências que estão na vanguarda da economia globalizada.

No contencioso que o Brasil sustenta na OMC, a tese principal é que os Estados Unidos ultrapassaram sistematicamente os limites de gastos fixados pela entidade para subsidiar a agricultura, entre os anos de 1999 e 2005. Atualmente, o teto médio anual de gastos autorizados ao governo norte-americano com subsídios é de US$ 19,1 bilhões, embora Washington não informe valores reais desde 2001.

A constatação foi feita pelo Serviço de Pesquisa do Congresso, organização sem vínculos partidários que produz levantamentos e pesquisas para o governo dos Estados Unidos.

Levando em conta que os pagamentos diretos a fazendeiros contribuem para a distorção do comércio, como acreditam as autoridades brasileiras, a instituição confirmou que os gastos excederam os limites da OMC em quatro dos últimos oito anos, a saber, em 1999, 2000, 2005 e 2006. A briga vai esquentar.