O Congresso, mesmo autoconvocado e pago, não consegue realizar uma sessão, mas a boataria come solta em Brasília, aliás marca registrada da capital da República. Não há como conceber o centro nervoso da política e da administração federal sem as rastaqueras fofocas que alimentam as colunas jornalísticas, sobremodo prejudicadas em dias de ausência da atividade parlamentar.

A CPMI dos Correios é o alvo direto do disse-que-me-disse e a última versão da surda bateria de supostas tentativas de impedir seu avanço dá conta de um acordão para livrar a cara dos deputados na iminência de cassação dos mandatos e suspensão dos direitos políticos.

Falou-se igualmente na arregimentação de certa falange em torno de um relatório alternativo ao trabalho a ser apresentado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), mediante o qual os deputados do PT e demais legendas da aliança governista sequer seriam citados como beneficiários do mensalão.

O deputado Osmar Serraglio de pronto reagiu ao que considerou aleivosias sem o menor fundamento na realidade, recebendo não só a solidariedade, mas o veemente repúdio protagonizado pelos sub-relatores de contratos e movimentação financeira, deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR).

A tônica defendida pelos parlamentares é que a sociedade não vai tolerar qualquer desvio de rota na condução dos trabalhos e do relatório final propriamente dito, diante de tantos indícios comprobatórios da ilegalidade praticada por dirigentes do PT, ao manipular dinheiro de origem fraudulenta e, pior, com origem em estatais, para cobrir despesas de campanha.

Não é outra a ansiedade da população senão pelo término dos trabalhos da CPMI, e a remessa do relatório ao Ministério Público para a abertura dos inquéritos competentes. Apurada a culpabilidade dos indiciados, lixo que alguns se apressam em enfiar nas ventosas do rolo compressor governista, virá a hora do pronunciamento do Poder Judiciário. Nada mais que isto é necessário.

Mas, a escorreita seqüência desse rol de providências constitucionais será cobrada com rigor pela sociedade, como sinete da justa revolta ante o infame procedimento de algumas figuras que não merecem continuar no Congresso Nacional.