O resultado das últimas pesquisas eleitorais provocou uma reação coletiva dos principais candidatos da oposição nos programas desta tarde de quinta-feira (31) no horário obrigatório de propaganda eleitoral na televisão. O tema da corrupção no PT e no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se a linha condutora das campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB), da senadora Heloísa Helena (PSOL), do senador Cristovam Buarque (PDT) e de José Maria Eymael (PSDC).

O tom dos discursos seguiu a linha do pronunciamento feito ontem no Senado pelo candidato a vice na chapa de Cristovam, senador Jefferson Péres (PDT-AM). Depois de anunciar que abandonará a vida pública daqui a quatro anos, desencantado com o mundo político e com a tolerância dos eleitores com a corrupção, Péres criticou a opinião pública por manifestar, nas pesquisas, apoio majoritário a Lula, mesmo ciente do que se passou no campo da ética no seu governo.

Numa rápida aparição no horário de Cristovam, Péres reforçou o apelo à consciência do telespectador: "Ética é ter vergonha na cara", disse ele. "É isso que falta à maioria dos políticos e aos eleitores que votam nesses políticos." A ex-petista Heloisa Helena foi direta na questão. Ela ressaltou, contudo, não acreditar que os brasileiros possam reeleger Lula sabendo das suas relações com o que chamou de "banditismo político". Helena acusou o presidente de liderar uma campanha eleitoral milionária e de querer "corromper o Brasil".

Alckmin também partiu para o ataque, mas com a ressalva, feita por uma apresentadora, de que os brasileiros "têm raiva da corrupção". Pela primeira vez, um "comercial" da sua campanha relacionou os membros do comando do PT e ex-ministros do governo Lula – José Dirceu, José Genoino, Luiz Gushiken, Sílvio Pereira, Delúbio Soares e Humberto Costa – à figura do presidente da República. Ao final, uma apresentadora sugere que Lula não poderia ignorar a corrupção que foi comprovada à sua volta.

Com base na mudança de clima na campanha na televisão registrada hoje, pode-se dizer que a oposição encontrou um foco do discurso com que pretende "desconstruir" a imagem do presidente Lula. A linha de Alckmin parece se resumir na frase "Lula não merece seu voto", dita por uma apresentadora no final do programa e estampada em letras garrafais nos comerciais de 15 segundos inseridos na grade de programação das emissoras. A senadora do PSOL adotou a linha "Não se deixe corromper", e a de Cristovam, dada por Jefferson Péres, procura desafiar o eleitor com um apelo do tipo "não seja corrupto como eles".

A probabilidade da vitória de Lula no primeiro turno, por larga maioria de votos, como indicado pelas pesquisas Sensus e Datafolha, forneceu aos marqueteiros o pretexto para redirecionar as campanhas oposicionistas. E, curiosamente, a linha adotada por todos eles – uma altamente provável coincidência, pois todos concorrem entre si – é a de considerar inacreditável a tendência de consagração do presidente petista e de sugerir ao eleitor que se detenha e pense sobre as conseqüências do seu voto.

Segundo fontes da campanha de Alckmin, a estratégica de confronto direto com o projeto de reeleição foi antecipada e deverá aumentar de tom no programa desta noite. A fonte disse que o marketing de Alckmin avalia, com base em suas pesquisas qualitativas, que o candidato já foi devidamente apresentado ao telespectador e está "politicamente credenciado" a atacar os pontos vulneráveis da campanha do presidente Lula.