Quatro aeroportos do Paraná estão no lote de leilão cujo edital será anunciado nesta segunda-feira (18) pelo governo federal – e que deve ser executado em 2020. Além do Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e do Bacacheri, em Curitiba, também as estruturas localizadas em Foz de Iguaçu e Londrina devem ser as primeiras do estado a terem a operação transferida para a iniciativa privada.

Ainda que não tenha ingerência direta nos espaços que serão concedidos em leilão, o governo do Paraná apresentou uma série de reivindicações à União. Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex de Oliveira, algumas modificações pedidas nas atuais estruturas são imprescindíveis para propiciar as condições esperadas para o desenvolvimento do Paraná.

Para isso, ele listou a prioridade número 1 de cada aeroporto. Em Foz do Iguaçu seria, por exemplo, o aumento da pista, principalmente para comportar aviões maiores, principalmente vindos do exterior. Como segundo maior destino turístico do país – e com potencialidade de crescimento, Foz enfrentaria limitações relacionadas aos 2.195 metros de pista.

Segundo Wilson Rocha Gomes, professor da Academia de Ciências Aeronáuticas da Universidade Positivo, uma série de fatores precisa ser considerada no momento de projetar as dimensões de uma pista de pousos e decolagens. Altitude, temperatura média e pressão interferem na estimativa da necessidade de espaço para as aeronaves.

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Também é preciso projetar as necessidades futuras, num horizonte de 20 anos, do tipo de avião que será usado e também das condições do pavimento, para suportar o peso. Gomes reforça que, nos últimos tempos, a pista de Foz apresentou vários problemas operacionais e esteve em obras. Já Sandro Alex mencionou que também é esperada a melhoria do terminal de passageiros – 1,1 milhão em 2018.

Já relacionado a Londrina, o secretário espera maior número de voos e de destinos. Essa situação não está diretamente nas mãos da futura concessionária, mas a gestão pode tentar negociar com as companhias áreas. Sem espaço disponível para ampliações de pista, teria demanda retraída para uma circulação maior de passageiros – foram 486 mil em 2018 –, mas também dependeria de melhorias no sistema ILS, para pousos em condições climáticas adversas.

Sobre o Bacacheri, também sem possibilidade de expansão – já que está encravado na área urbana – a expectativa principal é de melhorias na estrutura para passageiros. O aeroporto é voltado para voos executivos, aulas de aviação e aeronaves usadas em operações policiais e de salvamento. No ano passado, foram 14 mil decolagens, com 16 mil passageiros embarcados. Segundo o professor, há a demanda de melhorias no acesso, que costuma ser complicado.

Em relação ao principal aeroporto do Paraná, o Afonso Pena, o secretário levou a Brasília o pedido de construção da terceira pista, com a perspectiva de aumento na circulação de voos internacionais. Para o professor, é necessário dimensionar exatamente a demanda para avaliar o investimento. Atualmente, não haveria a necessidade, diante do fluxo estimado de passageiros e cargueiros (principalmente voltados à importação).

Como o custo da obra é muito alto, uma hipótese é a aplicação de um “gatilho”, como existe em outros aeroportos com administração privada, que preveem a execução do projeto apenas caso alguns indicadores de fluxo e procura sejam atingidos. Também é esperada a instalação de equipamentos que permitam a operação em condições meteorológicas adversas.