Londrina – Os agricultores do Paraná deverão realizar, "no mínimo", 82 bloqueios rodoviário e ferroviário amanhã (16) durante a mobilização nacional contra a crise do campo, prevê a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que está assessorando o movimento. Os bloqueios, de acordo com o consultor da entidade, Dalton Ravera, serão reforçados com a paralisação do comércio, fechamento de Prefeituras, suspensão de aulas e até a celebração de missas nas cidades em que haverá os bloqueios. Caminhoneiros prometem também reforçar o movimento.

"Será a maior mobilização da história da agricultura paranaense" estima Ravera, que compara o protesto de amanhã com o "tratoraço" promovido no ano passado em Brasília. "Enquanto o ‘tratoraço’ reuniu 35 mil pessoas, somente no Paraná deverão participar agora 50 mil", disse. Os protestos no Paraná vinham sendo realizados esporadicamente desde o início do ano e se intensificaram há cerca de 10 dias, quando agricultores do Noroeste bloquearam uma rodovia que dava acesso ao Mato Grosso do Sul – impedindo, assim, a passagem dos caminhões vindos daquele Estado em direção ao Porto de Paranaguá – e, em seguida, a partir de segunda-feira, com a interrupção do transporte ferroviário entre Londrina e Maringá, as maiores cidades do norte.

Antecipando-se aos protestos desta terça-feira, agricultores bloquearam hoje (15) durante todo o dia, em intervalos de dez minutos, os principais acessos a Maringá. A América Latina Logística (ALL), concessionária do transporte ferroviário, está com os pátios lotados em Apucarana e outras cidades. O estoque de cimento, que é transportado por ferrovia, está se esgotando em Maringá e, em Londrina, o pool de combustíveis, que movimenta 1,8 milhão de litros diariamente, só não entrou em colapso porque foram fretados caminhões para transportar o produto a partir de Araucária, no sul do Estado.

O bloqueio das ferrovias está dando a ALL um prejuízo diário de R$ 1 milhão e ainda era mantido no final da tarde de hoje (15) em dois pontos – Arapongas e Ibiporã. O protesto dos agricultores está prejudicado a etapa final da colheita de soja Na região de Maringá, formada por 29 municípios, a Secretaria de Agricultura calcula que deixaram de ser colhidas 371 mil toneladas de soja nos últimos 10 dias, o que impediu a circulação de R$ 142 milhões.