Não há mais dúvida sobre o avanço do cultivo da cana-de-açúcar no total da área plantada no Brasil, nos próximos anos, em face do crescimento da demanda mundial de etanol. O mundo tem necessidade de garantir o abastecimento de combustíveis, e a alternativa do etanol extraído da cana tem-se mostrado a mais rentável do ponto de vista econômico, dando ao Brasil a real oportunidade de se transformar num privilegiado produtor.

A descoberta recém-anunciada do potencial produtivo da gigantesca jazida de petróleo e gás natural na bacia de Santos, que colocará o Brasil entre os maiores produtores mundiais, segundo fontes do próprio governo, não diminuirá os esforços planejados para o desenvolvimento da produção de etanol.

Um estudo elaborado pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa), afirma que a área ocupada pela lavoura de cana-de-açúcar nos próximos 12 anos será 66,6% superior aos 6,16 milhões de hectares cobertos atualmente com o referido vegetal. Sobre o total plantado no País, a cana deverá saltar para 42,2% no período investigado, avançando dos 11,6% atuais para 16,5% da área plantada na safra de 2017/18, ou 10,3 milhões de hectares.

Dessa forma, os cálculos enfeixados pelo Mapa no estudo ?Projeções do Agronegócio no Brasil e no Mundo? indicam que, em menos de uma década e meia, a produção brasileira de etanol contabilizará o acréscimo de 120%, passando de 18,9 bilhões de litros para 41,7 bilhões de litros anuais.

Ao longo desse período, porém, o produto vanguardeiro do setor rural continuará sendo a soja, conforme o estudo realizado pelos pesquisadores José Garcia Gasques e Eliana Teles Barreto, do Ministério da Agricultura. Segundo eles, em 12 anos a área de soja vai aumentar 24,5% e cobrir 25,7 milhões de hectares no País, participando com 41,2% do total da área plantada.

Com relação às oito principais culturas agrícolas, diz o estudo do Mapa que a área plantada crescerá 17,6% no mesmo período, embora a cana, soja e trigo avancem em parte sobre a produção atual de arroz, feijão e café. Na altura de 2018, a produção agrícola nacional, atualmente em torno de 127 milhões de toneladas de grãos e fibras, segundo as projeções, chegará a 161,5 milhões de toneladas.

O agronegócio tem futuro, mas desde já o governo deverá definir estratégias políticas e econômicas capazes de assegurar o desenvolvimento sustentável do setor primário, evitando danos irreversíveis ao meio ambiente.