A mensagem do governador Roberto Requião para expandir o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) para mais 19 municípios e instalar 46 unidades de Bombeiro Comunitário no Paraná foi aprovada, nesta segunda-feira, na Assembléia Legislativa.

De acordo com o projeto, serão contratados mais 71 policiais militares, respeitando a classificação no último concurso realizado no mês de agosto de 2004, e outros 72 serão realocados através de promoções internas para exercerem novos postos no Corpo de Bombeiros. A expansão do Siate irá aproveitar estruturas já existentes e se dará por meio de convênios com as secretarias municipais de Saúde.

Assim como o Siate, o Bombeiro Comunitário também possui parceria entre Estado e municípios, proporcionando a expansão do atendimento a mais 46 cidades com mais de 15 mil habitantes. O projeto conta com ações de combate a incêndios e de Defesa Civil por meio de funcionários cedidos pelas prefeituras municipais, devidamente comandados por um bombeiro profissional. O serviço conta ainda com um veículo auto-bomba-tanque e equipamentos básicos para o atendimento emergencial.

Atualmente, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná está presente em 47 municípios do Estado e conta com 370 profissionais. Com a ampliação do Siate e do Bombeiro Comunitário, 97 municípios contarão com o atendimento, totalizando 75% da população paranaense. Em relação ao Siate, o programa de expansão contemplará o atendimento em traumas de emergência em todos os municípios do Estado com mais de 50 mil habitantes.

O governo do Estado investiu desde 2003, além do custeio, R$ 4.473 milhões em materiais, equipamentos e veículos. Também foram adquiridas mais 56 ambulâncias para expansão e renovação da frota do Siate com um custo unitário médio de R$ 102 mil, totalizando R$ 5.712 milhões.

Bombeiro Comunitário

Coordenado pela Casa Militar e pela Defesa Civil, e realizado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e o Paranacidade, o Programa de Bombeiros Comunitários tem a finalidade de executar serviços de prevenção e combate a incêndios, e de apoio às ações da Defesa Civil, em cidades com população igual ou superior a 15 mil habitantes que não dispõem de unidade do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar.

De acordo com o secretário do Desenvolvimento Urbano, Renato Adur, e com o chefe da Casa Militar, major Anselmo Oliveira, os postos de bombeiros comunitários são construídos sob responsabilidade das prefeituras. O Governo do Estado financia 80% do valor das obras com recursos do Programa Paraná Urbano II e os 20% restantes são repassados aos municípios a fundo perdido.

Além do apoio financeiro, o Estado doa um caminhão equipado ao município que aderiu ao programa, bem como garante a qualificação dos servidores municipais que trabalharão nos postos, que são acompanhados por um Bombeiro profissional.

Os postos pilotos do projeto de Bombeiros Comunitários foram implantados em setembro de 2004, nos municípios de Campina Grande Sul, Lapa, Prudentópolis e Pitanga.

Realização

Servidores municipais têm a oportunidade de ingressar na carreira de bombeiro, dispensando a obrigatoriedade de ser membro da Polícia Militar. Os interessados passam por testes seletivos e, se aprovados, são treinados por Bombeiros profissionais pela Defesa Civil.

?Eu sempre quis ser bombeiro, mas achava que era só um sonho?, diz Daniel Luciano Luvizotto, 27 anos, trabalhou oito como vigilante na prefeitura de Campina Grande do Sul. Neste mês fará um ano que ele atua como bombeiro em Campina Grande do Sul.

Luvizotto conta que o curso para a formação de bombeiros é bastante difícil e a média de notas para aprovação varia entre 8 e 10 pontos. Ele diz que é importante manter a calma e a concentração no trabalho, não se deixando levar pela pressão das pessoas que estão em volta, como no caso de acidentes automobilísticos.

?A equipe é muito boa, todos se ajudam, são dedicados e ninguém quer ser melhor que outro. Eu quero ficar, gosto de trabalhar nisto e quem trabalha no que gosta faz com mais vontade?, afirmou Luvizotto. Para ele, não há casos mais ou menos difíceis, eles estão prontos para combater qualquer situação.

Outro voluntário no posto de Bombeiros em Campina Grande do Sul, é o ex-motorista da prefeitura, Edson Luís Hegler, 47 anos. ?Quando minha mãe faleceu há três anos eu prometi que daria a minha vida pela vida do próximo. Eu acredito no meu trabalho e arregaço as mangas pelo projeto. Tenho certeza de que vai durar?, afirmou.

No posto dos Bombeiros Comunitários de Campina Grande do Sul, já foram realizados 276 atendimentos, desde sua inauguração, em 20 de setembro de 2004. Além de incêndios, os bombeiros comunitários também atendem aos casos de acidentes, principalmente automobilísticos.

O treinamento foi composto por instruções da Defesa Civil e mais 200 horas de aulas teóricas e práticas sobre a atividade dos Bombeiros. Foram remanejados funcionários da prefeitura que foram voluntários para trabalhar no projeto e passaram por todos os exames seletivos.

O sargento aposentado do Corpo de Bombeiros, Armando Henrique Brinadarolli Figueiredo, é quem coordena o projeto na região. Ele informou que o posto atende a demanda de 45 mil habitantes da cidade e mais 15 mil moradores de Quatro Barras, município vizinho.